Coreia do Norte: entenda o programa nuclear que abala o mundo

O mundo segue acompanhando essa crise que parece não ter fim. Entenda como o programa norte-coreano funciona e como evoluiu ao longo das décadas

São Paulo – A crise nuclear com a Coreia do Norte é vista por especialistas como a maior e mais preocupante ameaça à segurança mundial. Elaborado ainda na década de 70 como uma estratégia de sobrevivência do regime fundado por Kim Il-Sung, o programa nuclear e de mísseis assumiu novas proporções desde 2014, quando Kim Jong-un ascendeu ao poder.

Fato é que essa tática é um problema complexo que assombra o mundo há décadas e cuja solução sempre foi um desafio para a comunidade internacional. Atualmente, a retórica agressiva do presidente americano Donald Trump, e a escalada das provocações do regime impactaram severamente para tornar a situação ainda mais incerta e delicada.

Segundo analistas, uma possível intervenção militar na Coreia do Norte seria ineficaz e traria ainda mais insegurança para a região. Ainda que as capacidades militares do Norte sejam colocadas em xeque, fato é que o país é dono de um dos maiores exércitos do mundo e seria capaz de causar estragos em seus vizinhos antes de ser derrotado na ocasião de um conflito.

No entanto, tampouco a imposição de sanções econômicas por parte do Conselho de Segurança da ONU se mostrou eficiente para fazer com que Kim Jong-un cesse as suas ameaças. Muito pelo contrário: tais são usadas pelo regime como uma poderosa ferramenta de propaganda interna para garantir que a população permaneça ao seu lado.

O mundo segue acompanhando os desdobramentos dessa crise que não parece ter data para acabar. Para entender como o programa norte-coreano funciona e ver como sua evolução se deu nas últimas décadas, EXAME produziu um guia com as datas-chave e informações de tudo o que o regime já fez.

Datas-chave

– Final de 1970: Coreia do Norte começa a trabalhar em uma versão do míssil soviético Scud-B (alcance de 300 km) e que foi eventualmente testado em 1984.

– 1987-1992: desenvolvimento das versões do Scud-C (500 km), do Rodong-1 (1.300 km), do Taepodong-1 (2.500 km), do Musudan-1 (3.000 km) e do Taepodong-2 (6.700 km).

– Setembro de 1999: adiamento dos testes de mísseis de longo alcance devido à melhora das relações com Washington.

– 12 de julho de 2000: fracasso das negociações com os Estados Unidos sobre os mísseis, depois que a Coreia do Norte exigiu um bilhão de dólares americanos para paralisar as exportações dos aparatos.

– 3 de março de 2005: fim da prorrogação dos testes de mísseis de longo alcance, alegando uma política “hostil” por parte da administração Bush.

– Julho de 2006: testes de sete mísseis de longo alcance. Um deles (Taepdong-2) explode em pleno voo depois de 40 segundos. O Conselho de Segurança adota a resolução 1695, que pede o fim de qualquer atividade de mísseis balísticos.

– Outubro de 2006: primeiro teste nuclear subterrâneo e a edição da resolução 1718 do Conselho de Segurança, que pede o fim dos testes balísticos e nucleares.

– Abril de 2009: lançamento de um foguete de longo alcance que sobrevoa o Japão e cai no Pacífico. Para Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, trata-se de um teste do Taepodong-2. O Conselho de Segurança condena a operação e reforça as sanções. A Coreia do Norte abandona as negociações sobre seu programa nuclear.

– Maio e junho de 2009: segundo teste nuclear subterrâneo, muito mais potente. Resolução 1874 do Conselho de Segurança, que impõe sanções suplementares.

– 12 de fevereiro de 2013: terceiro teste nuclear subterrâneo.

– 6 de janeiro de 2016: quarto teste nuclear subterrâneo. A Coreia do Norte afirma ter testado uma bomba de hidrogênio, fato ainda questionado por especialistas.

– 7 de fevereiro de 2016: Pyongyang anuncia o sucesso de seu segundo lançamento de foguete espacial e que o país colocou um satélite em órbita.

– 2 de março de 2016: o Conselho de Segurança impõe à Coreia do Norte as sanções ainda mais duras.

– 9 de março de 2016: o dirigente norte-coreano Kim Jong-Un afirma que Pyongyang conseguiu miniaturizar uma ogiva termonuclear.

– 8 de julho de 2016: Estados Unidos e Coreia do Sul anunciam a mobilização na Coreia do Sul do escudo antimísseis americano THAAD.

– 3 de agosto de 2016: pela primeira vez, regime dispara um míssil balístico em águas japonesas.

– 5 de setembro de 2016: lançamento de três mísseis balísticos durante a reunião dos líderes do G20 na China.

– 9 de setembro de 2016: quinto teste nuclear.

– 1 de dezembro de 2016: a ONU endurece as sanções e limita as exportações norte-coreanas de carvão à China.

– 12 de fevereiro de 2017: teste de um novo míssil balístico, que percorre 500 km antes de cair no Mar do Japão.

– 6 de março de 2017: Pyongyang lança quatro mísseis balísticos e afirma se tratar de um exercício para atingir bases dos Estados Unidos no Japão.

– 7 de março de 2017: Estados Unidos iniciam o estabelecimento do sistema antimísseis THAAD na Coreia do Sul.

– 14 de maio de 2017: Coreia do Norte lança míssil que percorreu 700 km antes de cair no mar do Japão. Os analistas estimam a capacidade do alcance do projétil em 4.500 km.

– 4 de julho de 2017: Pyongyang dispara um míssil balístico que percorre 930 km antes de cair no mar do Japão. Os analistas estimam seu alcance em até 6.700 km, o que chegaria ao Alasca. O regime norte-coreano diz ter sido um teste de míssil balístico intercontinental Hwasong-14.

– 28 de julho de 2017: Pyongyang lança um míssil com alcance teórico de 10.000 quilômetros e que poderia atingir os Estados Unidos.

– 29 de agosto de 2017: Coreia do Norte dispara um míssil que sobrevoa o Japão antes de cair no Pacífico. De acordo com Seul percorreu 2.700 quilômetros a uma altura máxima de 550 km.

– 3 de setembro de 2017: Regime anuncia o sucesso em seu sexto teste nuclear, e o mais poderoso da sua história, com a explosão de bomba de hidrogênio que causou um terremoto de magnitude 6,3 na Península da Coreia.

Infográfico sobre o programa nuclear da Coreia do Norte

Comentários

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  1. Cristiano Resende

    Os maiores terroristas do mundo lançaram duas bombas nucleares no Japão e seguem impunes. Nunca ouvi dizer que a Coreia do norte teve a intenção de atacar ninguém. Isso é um embuste para os EUA venderem armas e manter uma base no”quintal” da China. Que venham mais e mais mísseis nucleares norte coreanos!

  2. Marcos Longo

    cara estude e se informe.
    Estados Unidos ajudou o Japão a se desenvolver por remorso de ter tirado vidas.
    a correia do norte ameaça os Estados Unidos há mais de 8 anos frequentemente.
    essas bases é defesa para que os estados unidos tenha como atacar a Rússia e China, já que ambos tem ideologia política diferente.
    vivemos em um sistema de predominância capitalista qual o problema de vender armas.