Contra genocídio, Obama autoriza ataques aéreos no Iraque

Até o momento, missão das aeronaves foi lançar alimentos e água potável a milhares de pessoas que se escondem de radicais sunitas

Erbil – O presidente Barack Obama autorizou a intervenção de aviões de guerra americanos no Iraque para evitar que os jihadistas entrem na região autônoma do Curdistão e impedir um genocídio das minorias deslocadas.

Até agora a missão destas aeronaves foi lançar alimentos e água potável a milhares de pessoas que se escondem dos radicais sunitas nas montanhas desérticas do norte do país.

Mas Obama anunciou na quinta-feira a autorização de ataques aéreos limitados contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI), três anos depois de ter colocado fim a oito anos de ocupação americana no Iraque.

Muitas das pessoas que se escondem nas montanhas de Sinjar há cinco dias em um calor insuportável, sem água ou alimentos, são yazidis, uma minoria religiosa com 4.000 anos de antiguidade.

Obama acusa o EI, que classifica os yazidis de “adoradores do diabo”, de buscar a “destruição sistemática de todo um povo, o que constituiria um genocídio”.

Também justificou possíveis ataques aéreos pela ameaça dos jihadistas contra os aliados curdos de Washington, após uma ofensiva que levou os extremistas sunitas para perto de Erbil, a principal cidade do Curdistão iraquiano.

O pânico começou a se apoderar da capital curda após o avanço do EI nos dois últimos dias na planície de Nínive, que separa Mossul da região autônoma.

“Vamos ficar atentos e entraremos em ação se ameaçarem nossas instalações em qualquer lugar do Iraque, incluindo o consulado de Erbil e a embaixada em Bagdá”, acrescentou Obama.

No entanto, funcionários americanos de alto escalão desmentiram uma afirmação curda de que seus aviões de combate teriam atacado alvos jihadistas.

Os peshmerga curdos, que têm poucas munições e estão espalhados ao longo de uma frente gigantesca, foram obrigados a retroceder diante dos ataques dos jihadistas.

Na quinta-feira eles perderam o controle da represa de Mossul, a maior do Iraque, para os jihadistas, que agora podem controlar o fornecimento de água e eletricidade para uma ampla região, informaram autoridades nesta sexta-feira.

“A represa de Mossul está nas mãos dos insurgentes desde ontem”, quinta-feira, declarou Holgard Hekmat, porta-voz das forças curdas peshmergas.

Além disso, sua retirada do centro nevrálgico dos cristãos do Iraque na quarta e quinta-feira desencadeou um êxodo em massa e obrigou as potências ocidentais a tomar medidas urgentes.

O anúncio de Obama foi feito após uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU convocada pela França, que também ofereceu apoiar as forças que combatem os jihadistas.

Grã-Bretanha apoia EUA, mas não intervirá no Iraque

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, aprovou nesta sexta-feira a decisão americana, mas descartou se somar à operação.

“Não estamos planejando uma intervenção militar”, afirmou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro.

Segundo o patriarca caldeu Louis Sako Qaraqos, a maior cidade cristã da região foi evacuada na quinta-feira e 100.000 cristãos foram expulsos de seus lares.

Muitos deles tentaram entrar no vizinho Curdistão, aumentando a pressão neste território autônomo de cinco milhões de habitantes que já recebeu centenas de milhares de pessoas desde que o EI começou sua ofensiva, em 9 de julho.

Os yazidis e outras minorias que fugiram de Sinjar há quase uma semana também se dirigiram ao Curdistão.

O papa Francisco enviará ao Iraque o cardeal Fernando Filoni, antigo núncio neste país, para apoiar a população que foge devido ao avanço dos jihadistas, anunciou nesta sexta-feira o Vaticano.

O porta-voz do Pontífice indicou que “diante da grave situação, o Santo Padre nomeou o cardeal Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, como seu enviado com o objetivo de expressar sua proximidade espiritual com as populações que sofrem e fornecer a solidariedade da Igreja”.

Um funcionário da Defesa americano confirmou que teve início uma missão para salvar os que permaneciam sitiados nas montanhas lançando alimentos cruciais e água, mas um morador de Sinjar interrogado por telefone nesta sexta-feira disse que a ajuda ainda não chegou.

“Nada aterrissou nesta parte da montanha. Precisamos de todo tipo de ajuda, comida e água. Há muitas crianças aqui”, declarou este homem que se refugiou com sua família em uma gruta.