Congo: 600 soldados e policiais se entregam aos rebeldes

Os desertores atenderam à convocação do M23 de que todos os soldados das forças de segurança congolesa em Goma entregassem as armas e se unissem a eles

Kinshasa – Os soldados e policiais da República Democrática do Congo (RDC) que ocupavam a cidade oriental de Goma após sua tomada, ontem, pelos rebeldes do Movimento M23, se uniram nesta quarta-feira ao grupo insurgente.

Fontes civis em Goma informaram hoje à Agência Efe por telefone que 398 soldados e 232 policiais depuseram as armas e se uniram ao M23, durante um ato no estádio da cidade, fronteiriça com Ruanda.

Assim, os desertores atenderam à convocação do M23 de que todos os soldados das forças de segurança congolesa em Goma entregassem as armas e se unissem a eles no que consideraram “a nova missão para salvar o país”.

Além disso, os amotinados do M23 libertaram todos os presos da cidade, que foram incorporados a suas fileiras.

“Já basta das autoridades de Kinshasa. Não as queremos”, gritou um líder do M23 durante a operação de alistamento dos novos soldados.

O número de soldados que compõem o M23 era estimado em cerca de 2 mil antes dos novos recrutamentos.

Segundo fontes da insurgência, a rebelião instaurará amanhã um governo que administrará a região, no leste da RDC.

O Executivo estará dirigido pelo chefe da ala política do movimento, Jean-Marie Runiga, enquanto a ala militar será liderada pelo general Sultani Makenga, chefe do Estado-Maior do Exército Revolucionário Congolês (ARC, a nova denominação do M23).


Vários relatórios da ONU e de ONG estabelecem Ruanda e Uganda como atores no conflito em apoio dos rebeldes, embora ambos os países neguem categoricamente sua participação.

O presidente da RDC, Joseph Kabila, e o presidente ruandês, Paul Kagame, se encontram hoje na capital ugandense para tratar da situação na região através da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos.

O M23 é formado por um grupo de soldados congoleses amotinados e supostamente fiéis ao rebelde Bosco Ntaganda, procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade.

Os rebeldes se sublevaram em abril passado para protestar contra a perda de poder que o Executivo de Kinshasa impôs a seu líder, e reivindicam novas negociações com o governo.

Ntaganda, com um amplo histórico de motins, se integrou há dois anos no Exército da RDC ao contribuir para a pacificação de Kivu do Norte após ajudar a deter, em 2009, Laurent Nkunda, antigo senhor da guerra e general do Exército congolês.

No entanto, nos últimos meses não houve notícias do paradeiro e das atividades de Ntaganda.

A RDC ainda está imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), que envolveu vários países africanos, e abriga a maior missão de paz da ONU. EFE