Concordatas da Delta e Northwest ampliam crise das aéreas nos EUA

Empresas têm dificuldade para repassar a alta do petróleo aos preços das passagens aéreas. Metade das companhias aéreas americanas já requereu concordata

A crise que assola o setor aéreo americano se ampliou nesta quarta-feira (14/9), com os pedidos da Delta Air Lines e da Northwest para serem enquadradas no capítulo 11 da legislação sobre falências dos Estados Unidos uma série de regras para recuperação da empresa e renegociação de débitos. Segundo a revista britânica The Economist, agora praticamente metade das companhias aéreas americanas estão sob esse regime de exceção.

Desde os ataques terroristas contra o World Trade Center, em 2002, o setor vem acumulando prejuízos que já somam 32 bilhões de dólares. A situação foi agravada pela guerra contra o Iraque, o estouro da bolha das empresas pontocom, a epidemia de SARS na Ásia e a forte concorrência das novas empresas aéreas, como Jetblue e Southwest, cujo modelo de negócios é baseado no baixo custo.

Segundo The Economist, a esses ingredientes, veio juntar-se agora a alta prolonga dos preços do petróleo, que pressiona o custo do combustível para aviação. A Associação Internacional de Transporte Aéreo estimavam, em maio, que o setor registraria prejuízos de 6 bilhões de dólares neste ano, devido aos gastos com combustíveis. Naquela época, o barril do petróleo estava cotado em 47 dólares. No início desta semana, porém, a projeção foi revista para 8 bilhões, já que o barril elevou-se a 64 dólares desde então.

A pesada estrutura de custos fixos das empresas tradicionais, como a Delta e a Northwest, as impede de repassarem os reajuste de combustíveis para o preço das passagens, já elevadas diante das concorrentes que seguem o princípio do “low cost”. Para The Economist, não há sinais de que a crise das aéreas seja revertida no curto prazo, o que significa que seus ganhos continuarão se deteriorando o que as coloca em uma espiral negativa.

Cada vez que as companhias tradicionais cortam custos por meio da redução de serviços, mais se assemelham aos seus concorrentes “low cost”. Mas não é apenas o serviço de bordo que joga a favor de empresas como a Jetblue. A forma como opera suas rotas e a agressividade de sua direção também fazem com que essas empresas se diferenciem, ocupando ainda mais o espaço das aéreas tradicionais.

O único segmento de mercado em que as grandes companhias americanas ainda vislumbram um alívio são as rotas internacionais, já que as receitas por assento estão subindo. Mas a concorrência nesse mercado também está aumentando.