Competitividade dos produtos chineses pode diminuir

Alvo de críticas dos Estados Unidos, a política cambial da China poderá ser alterada. Autoridades chinesas admitem flexibilizar a taxa de câmbio em relação ao dólar

Para alívio dos Estados Unidos, país que mais critica a política cambial chinesa, Pequim admitiu nas últimas semanas que pode rever a taxa de câmbio. Atualmente, o yuan está desvalorizado cerca de 40% em relação ao dólar. Por isso, os americanos acusam a China de manter condições artificiais de competitividade para seus produtos, aprofundando o déficit comercial dos Estados Unidos com a China.

“A estabilidade do câmbio não significa impedir flutuações”, afirma Guo Shuqing, vice-presidente do Banco Popular, o banco central chinês. “O país também espera que a taxa de câmbio tenha uma certa flutuação, mas nós iremos controlar a volatilidade e as crises”, diz.

Segundo o americano The Wall Street Journal, declarações como a de Shuqing e de outras autoridades chinesas não deixam dúvidas de que haverá uma alta do valor do yuan frente ao dólar, mas não há pistas sobre quando e como ela ocorrerá. Para alguns analistas, as mudanças no câmbio chinês podem demorar. Diversos economistas apontam que a balança comercial da China, de um modo geral, é bastante equilibrada, o que indicaria que a cotação do yuan em relação a moedas estrangeiras já está adequada.

Outros analistas afirmam que a pressão americana não é o ponto principal para a mudança do câmbio. A alta do yuan seria motivada por fatores internos. A China cresceu 9,1% no terceiro trimestre, e a economia está acelerando novamente nas últimas semanas. O governo tenta restringir os empréstimos bancários e as pressões inflacionárias continuam. A desvalorização do câmbio seria uma medida para conter o crescimento econômico.

Um sinal de que Pequim está disposta a adotar mecanismos de mercado para desacelerar a economia foi dado no final de outubro, quando a taxa de juros para empréstimos subiu pela primeira vez em nove anos, passando de 5,31% para 5,58% ao ano.

Segundo economistas ouvidos por The Wall Street Journal, a próxima medida é mudar o câmbio. “Isto deve ser feito dentro de um ajuste da política macroeconômica”, afirma Zhao Xiao, chefe do departamento de pesquisas da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos, uma poderosa agência estatal chinesa que supervisiona as companhias do país. Em conversas com as diretorias de algumas estatais, Xiao afirma esperar que o yuan seja valorizado de 7% a 10%.