Companhias petrolíferas investem menos que o necessário

Segundo a Agência Internacional de Energia, é necessário elevar em 20% o montante de investimentos para atender à demanda atual

As companhias petrolíferas estão investindo de 15% a 20% menos que o necessário para atender à demanda mundial nos próximos 25 anos, segundo afirmou Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia. O baixo grau de investimento, de acordo com Birol, decorre de dois fatores. O primeiro é o elevado retorno exigido pelos acionistas das companhias. O segundo é a dificuldade das empresas de atuar em países com vastas reservas, como o Oriente Médio.

“Essa falta de acesso às reservas desses países é o maior problema enfrentado pelo setor”, disse Birol, em entrevista ao jornal britânico Financial Times. A exploração de petróleo também encontra problemas em países como o México e a Rússia, que não integram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Sem meios de explorar essas jazidas, as companhias são obrigadas a extrair o óleo bruto e o gás natural de reservas já maduras da América do Norte e da Europa, o que eleva o custo de exploração. Entre 1990 e 2000, segundo Birol, essas duas regiões responderam por 71% dos novos campos abertos para exploração, enquanto o Oriente Médio representou apenas 2%.

As grandes companhias petrolíferas, porém, negam que estejam investindo menos que o necessário. As empresas afirmam que correm o risco de superestimar seus projetos para os próximos 25 anos, caso o preço internacional do petróleo recue para patamares muito inferiores aos atuais 50 dólares por barril o que comprometeria a taxa de retorno dos investimentos.