Comissão independente avaliará caso Armstrong, diz UCI

A comissão vai investigar as suspeitas levantadas pela Agência Antidoping dos Estados Unidos contra o ciclista

Genebra – A União Ciclística Internacional (UCI) divulgou nesta sexta-feira o nome dos três integrantes da comissão independente que vai analisar as supostas ligações irregulares entre a entidade e o ex-ciclista Lance Armstrong, banido do esporte por doping no fim de outubro.

A comissão será liderada pelo juiz britânico Philip Otton, que já analisou casos na Fórmula 1 e no Campeonato Inglês, incluindo disputas envolvendo o argentino Carlos Tevez e os clubes Chelsea e Arsenal.

Ele terá a companhia da cadeirante Tanni Grey-Thompson, uma das principais atletas paralímpicas da Grã-Bretanha, integrante do parlamento e apresentadora de TV. O trio, que será complementado pelo advogado australiano Malcolm Holmes, foi reunido por John Coates, presidente do Conselho Internacional Arbitral do Esporte.

“A escolha destas três figuras eminentes demonstra claramente que a UCI quer ir até o fundo neste caso Lance Armstrong e quer colocar o ciclismo novamente nos trilhos”, declarou o presidente da UCI, Pat McQuaid, que não deverá ter qualquer influência no trabalho da comissão. O trio vai se reunir em Londres entre os 9 e 26 de abril e deverá emitir um relatório no dia 1º de junho de 2013.


A comissão independente vai investigar as suspeitas levantadas pela Agência Antidoping dos Estados Unidos. Em relatório divulgado em outubro, os ciclistas Floyd Landis e Tyler Hamilton, ex-companheiros de equipe de Armstrong, revelaram que o polêmico atleta pagou à UCI para não divulgar um suposto teste positivo de doping, em 2001.

No ano seguinte, a entidade admitiu ter recebido uma doação de US$ 100 mil, mas negou que o dinheiro tivesse qualquer relação com o suposto teste positivo. Armstrong nunca foi flagrado oficialmente em um exame antidoping. O norte-americano foi banido do esporte e perdeu seus sete títulos da tradicional Volta da França por conta da investigação da agência americana, que baseou seu relatório no depoimento de diversas testemunhas.

Em razão das suspeitas, a comissão vai investigar as relações de McQuaid, eleito presidente da UCI semanas antes de Armstrong anunciar sua primeira aposentadoria, em 2005, e de seu predecessor no cargo, Hein Verbruggen, com o ex-ciclista norte-americano.