Combustível caro leva companhias aéreas a encurtar vôos

Buscar trajetos mais curtos para os mesmos destinos e reduzir o tempo de taxiamento nos aeroportos são algumas medidas adotadas pelas empresas

Com o barril do petróleo acima de 50 dólares, as companhias aéreas estão tornando as operações mais rápidas, silenciosas e limpas. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), se a duração de todos os vôos do mundo fosse reduzida em apenas um minuto, seria economizado cerca de 1 bilhão de dólares por ano com combustível. Com outras medidas, como a adoção de rotas mais curtas e a redução do tempo de taxiamento nos aeroportos, a economia poderia chegar a 2 bilhões de dólares.

Os sucessivos aumentos do petróleo estão devorando as já apertadas margens de lucro das empresa. Entre janeiro e a primeira semana de outubro, o petróleo já acumulou uma alta de 65% na Bolsa de Nova York. Com isso, o preço do querosene para aviação já subiu cerca de 60%, sendo cotado a aproximadamente 500 dólares por tonelada na semana passada, conforme o americano The Wall Street Journal.

Encontrar rotas mais curtas para os mesmos destinos é uma das saídas que as companhias estão adotando. Na China, por exemplo, a Iata trabalha em conjunto com o governo para elevar o número de rotas no norte do país. O objetivo é evitar rotas em que o aparelho voe contra as correntes de vento locais, gastando mais combustível, e também oferecendo mais opções de trajetos para escapar dos dias de mau tempo. Espera-se que as medidas encurtem em até 30 minutos o tempo de alguns vôos locais. A Iata estima que poderão ser economizados cerca de 810 mil toneladas anuais de querosene, o equivalente a 450 milhões de dólares. Os técnicos também esperam ganhos para o meio ambiente, por meio da redução significativa da emissão de poluentes causada pela queima do combustível (leia também reportagem de EXAME sobre a aviação mundial).

Outro esforço das companhias é melhorar o controle de tráfego aéreo e reduzir o tempo de taxiamento nos aeroportos. A companhia alemã Lufthansa, por exemplo, afirma que seus aviões gastaram, no ano passado, cerca de 9 mil horas sobrevoando os aeroportos, devido ao congestionamento do tráfego, à espera de permissão para pousar. Esse tempo se traduziu no consumo de 30,6 mil toneladas de combustível e na emissão de 90 mil toneladas de dióxido de carbono. Por isso, a empresa resolveu reduzir a freqüência de seus vôos para alguns destinos, como o Leste Asiático, a fim de economizar 60 milhões de dólares em combustível neste ano.

A Eurocontrol, responsável pelo controle do tráfego aéreo da Europa, está desenvolvendo planos para descongestionar as principais rotas aéreas, reduzir a emissão de poluentes e o consumo de combustíveis das aeronaves. Em 2000, por exemplo, a empresa já havia conseguido poupar 300 mil toneladas de combustível (o equivalente a 154 milhões de dólares em preços de hoje), ao melhorar a distribuição dos aviões nos aeroportos.