Comandante e 15 PMs são detidos por suspeita de extorsão

16 policiais, entre eles um comandante, foram detidos em operação para desarticular grupo acusado de extorquir traficantes no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – Um total de 16 policiais, entre eles o comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, foram detidos nesta quinta-feira em uma operação para desarticular um grupo de agentes acusado de extorquir traficantes de drogas, informaram fontes oficiais.

A organização criminosa também é acusada de sequestrar traficantes para exigir o pagamento de resgate e de liberar membros de organizações criminosas, após o pagamento de suborno, que foram surpreendidos quando transportavam um carregamento de armas.

A operação foi realizada por agentes da Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) da Secretaria de Segurança do estado com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público.

Os policiais detidos são lotados no 17º BPM e a lista de presos inclui o comandante dessa unidade, o tenente-coronel Dayzer Corpas Maciel, segundo a informação divulgada pela secretaria de Segurança Pública.

Os agentes responsáveis pela operação, chamada Ave de Rapina, também realizaram 43 ações de busca e apreensão nos imóveis dos acusados e em alguns escritórios ordenadas pelo juiz responsável pela investigação.

De acordo com o MP, o grupo de policiais corruptos sequestrou pelo menos dois traficantes no Rio de Janeiro, um na Ilha do Governador e outro em Senador Camará, na Zona Oeste da cidade, para exigir o pagamento de resgate.

Segundo o Gaeco, os policiais foram flagrados por uma câmera de segurança quando abordaram um veículo no qual eram transportados quatro fuzis, 18 granadas e três pistolas, e liberaram três de seus ocupantes após o pagamento de suborno.

Os outros dois foram detidos e levados para uma delegacia, onde somente foi apresentado um fuzil.

De acordo com o MP, além de receber dinheiro pela liberação dos três traficantes, os policiais venderam as outras armas apreendidas para outra organização criminosa.

Segundo o Gaeco, os policiais acusados tinham ligações muito próximas com traficantes do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, especialmente com o chefe desse grupo, Fernando Gomes de Freitas, que é conhecido como Fernandinho Guarabu.

Além de serem detidos, afastados de suas funções e levados para uma prisão especial para policiais, os acusados serão submetidos a um processo administrativo que poderá determinar sua expulsão da corporação.

No último dia 15, em outra operação da SSINTE, outros 19 PMs foram detidos acusados de corrupção.

Entre eles estavam o coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, ex-número 3 no comando da PM, e outros oficiais da corporação.