Com o prazo se esvaindo, o Brexit continua devagar

ÀS SETE - Em Bruxelas, representantes se reuniram para tratar de acordos comerciais, tempo de transição, direitos de europeus e a fronteira com a Irlanda

Quando o negociador chefe da União Europeia, Michael Barnier, divulgar hoje os resultados das conversas desta semana sobre o Brexit, a saída do Reino Unido do bloco europeu, a expectativa é que resultados mínimos tenham sido alcançados.

Em Bruxelas, representantes das duas partes se reuniram para tratar de futuros acordos comerciais, tempo de transição, direitos de europeus na Grã-Bretanha e a questão da fronteira com a Irlanda — alguns dos pontos mais polêmicos e de maior divergência entre negociadores.

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Diante de uma reunião decisiva em março deste ano, que deve preparar o terreno para a saída oficial, um ano depois, a maior preocupação é justamente com atrasos.

Fontes ligadas à União Europeia disseram à agência Reuters que os britânicos estariam sondando governos europeus individualmente sobre a possível extensão de um prazo de transição, atualmente de 21 meses a partir do ano que vem.

A primeira ministra britânica Theresa May negou publicamente que esteja trabalhando por mais tempo.

A França e outros governos da Europa já afirmaram que são contra uma extensão por medo de que os britânicos fiquem muito tempo no meio do caminho, transformando o acordo em uma confusão de longo prazo.

Diplomatas se mostraram mais flexíveis e afirmaram que qualquer extensão do período de transição só seria acordada depois que o Reino Unido já tivesse deixado o bloco, em março do ano que vem. Mas também alertaram que se o prazo chegar sem um plano definido, a saída será “sem transição alguma”.

O ministro do Brexit do Reino Unido, David Davis, chamou de “falta de boa fé” a atitude de ameaçar os britânicos com a extinção do prazo de adaptação.

Se a questão não estiver em ordem na reunião dos dias 22 e 23 de março, pode causar atrasos no início das conversas para um eventual acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia e complicar ainda mais o status dos quase 3 milhões de europeus que vivem no Reino Unido.

Essa era considerada, segundo Barnier, a questão mais simples antes do acordo comercial pós-Brexit. Mas nada é simples neste desembarque.