Com nova lei, empresas americanas cortam doações de campanha

Em vez das doações milionárias aos partidos, as companhias estariam optando por estimular seus empregados a votar em indivíduos e fazer lobby por questões específicas, diz The Wall Street Journal

As empresas americanas não fazem mais doações de campanha como antigamente, revela reportagem do The Wall Street Journal. Um verdadeiro colapso do financiamento empresarial aos partidos nacionais representa mudança histórica dos padrões de campanha nos Estados Unidos, afirma o jornal americano.

Ano passado, novas leis barraram as contribuições ilimitadas aos cofres dos partidos políticos americanos. Surgiram então grupos independentes, ainda assim com vínculos partidários, ávidos para preencher o vácuo criado pela legislação, pedindo as doações que os partidos já não solicitar com a mesma desenvoltura.

Grandes companhias, responsáveis por doações milionárias em campanhas passadas, recusam-se agora a atender essas novas organizações. E pior, as empresas adotaram as novas regras como álibi para abandonar a corrida dos financiamentos eleitorais. As que doavam porque suas concorrentes o faziam, constatam aliviadas que a retirada é geral.

De acordo com o jornal americano, das dez maiores doadoras nas eleições de 2000, que juntas contribuíram com mais de 21 milhões de dólares, nenhuma está doando para os grupos de levantamento de recursos neste ano.

Diferente das empresas, os sindicatos não estariam hesitando em transferir recursos para os novos grupos. A diferença de postura entre empresas e sindicatos, diz The Wall Street Journal, está prejudicando o Partido Republicano do presidente George W. Bush, “de longe o que mais se beneficiava das doações de empresas”. Em 2002, as empresas injetaram 215 milhões de dólares no mundo político, ou 42% das doações aos comitês partidários. Mais de 70% dos recursos foram direcionados aos republicanos.

Durante a convenção para formalizar o presidente Bush como candidato republicano nas eleições de novembro, o fluxo de dinheiro privado teria sido 10% do movimentado em outras campanhas, afirma The Wall Street Journal.

Nova postura

As companhias estão privilegiando um papel mais direto no processo eleitoral americano, diz o jornal. Em vez de assinar cheques, estão estimulando seus empregados a fazer lobby no Congresso em questões específicas ou apoiando candidatos individuais.

O efeito não intencional é que as empresas poderão se aproximar ainda mais das refregas políticas, ainda que estejam evitando comprometimentos financeiros, conclui The Wall Street Journal.