Civis fogem com confrontos na Síria em fases decisivas

Forças rebeldes aliadas e turcas bombardearam a cidade de Afrin, tomada por curdos, matando ao menos 27 pessoas e forçando a fuga de 2.500

Beirute – Milhares de civis fugiam de enclaves sitiados em extremidades opostas da Síria nesta sexta-feira, conforme duas intensas batalhas na guerra de diversos lados entraram em fases decisivas, com centenas de milhares de pessoas presas no caminho de ambas operações.

Ataques aéreos mataram diversas pessoas em Ghouta Oriental, informou um órgão monitor da guerra, e moradores cansados fugiram a pé pelo segundo dia, conforme forças do governo apoiadas pela Rússia pressionaram sua campanha para capturar o último grande bastião rebelde próximo a Damasco.

Em outro fronte, forças rebeldes aliadas e turcas bombardearam intensamente a cidade de Afrin, no norte do país e tomada por curdos, matando ao menos 27 pessoas e forçando a fuga de 2.500, informou o Observatório Sírio para Direitos Humanos.

A milícia curda YPG defendendo Afrin disse estar lutando contra forças turcas que tentaram invadir a cidade pelo norte.

As duas ofensivas, uma apoiada pela Rússia e outra liderada pela Turquia, mostraram como facções sírias e seus aliados estrangeiros estão agressivamente reformulando o mapa de controle após a derrota no ano passado do autoproclamado califado do Estado Islâmico.

A guerra síria entrou em seu oitavo ano nesta semana, tendo matado mais de meio milhão de pessoas e forçado a fuga de mais de 11 milhões de suas casas, incluindo quase 6 milhões que foram para o exterior, em uma das piores crises de refugiados dos tempos modernos.

O governo realizou sua ofensiva em Ghouta Oriental há um mês e a Turquia começou sua operação entre fronteiras em Afrin em janeiro. Em ambos casos, centenas de milhares de civis foram presos dentro de bolsões no campo de batalha.

Uma estimativa de 12 mil a 16 mil pessoas deixaram Ghouta nos últimos dias, embora confrontos na região de Afrin tenham alegadamente deslocado mais de 48 mil pessoas, disse Linda Tom, porta-voz humanitária da Organização das Nações Unidas na Síria.