Ciganos e africanos são os mais discriminados, diz relatório

Documento também mostra que as "minorias visíveis", ou seja, aquelas diferentes da população, são as que se sentem mais discriminadas

Bruxelas – população de origem africana e os ciganos sofrem discriminação com mais frequência do que as minorias procedentes dos Bálcãs e do Leste Europeu, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA, na sigla em inglês).

O documento assinala que as pessoas pertencentes a “minorias visíveis”, ou seja, que têm um aspecto físico diferente do resto da população, se sentem discriminadas com maior frequência e por um número maior de motivos em comparação com as de outras minorias.

Em particular, a população cigana e a de origem africana têm “mais probabilidade” de sofrer discriminação do que as pessoas procedentes da antiga Iugoslávia, de origem russa e os oriundos da Europa Central e Oriental.

Além disso, as pessoas de “minorias visíveis” são mais frequentemente vítimas de atos de “discriminação múltipla”, cujos motivos podem ser a idade, o sexo e a religião.

Os homens jovens imigrantes, por exemplo, tendem a sofrer níveis superiores de tratamento discriminatório, segundo revela uma pesquisa feita pela FRA.


Os resultados mostram que um em cada quatro entrevistados pertencentes a minorias étnicas ou imigrantes da UE afirma ter se sentido discriminado por dois ou mais motivos durante os 12 meses anteriores à enquete.

A pesquisa revelou que 28% dos norte-africanos afirmou ter sofrido discriminação por motivos múltiplos nos últimos meses, contra 18% dos subsaarianos, 16% dos ciganos e 15% dos turcos.

No caso dos imigrantes originais dos Bálcãs ou dos países do centro da Europa, os números ficam abaixo dos 9%.

O fato de pertencer a uma minoria étnica ou de ser imigrante foi o motivo mais habitual de discriminação múltipla apontado pelos entrevistados (93% tanto entre homens como entre mulheres), seguida da religião (72% no caso dos homens e 56% entre as mulheres) e o sexo (24% e 44%, respectivamente).

O relatório também destaca que os fatores socioeconômicos, como um baixo nível de renda, “podem aumentar a experiência de discriminação múltipla”.

Neste sentido, o diretor da FRA, Morten Kjaerum, destacou a necessidade de que a legislação europeia introduza o conceito de “discriminação múltipla” para “melhorar a correspondência entre a Justiça e as complexas experiências cotidianas de discriminação sofridas por uma pessoa”.

A maioria dos tribunais europeus abordam unicamente um motivo de discriminação por caso, de modo que “fica mais difícil (para as vítimas) apresentar seu caso em um tribunal e receber compensação por vários tipos de discriminação sofridos”, assinalou Kjaerum em comunicado.