Cidades impulsionam luta climática e desenvolvimento sustentável na ONU

"Estamos vivendo em uma época na qual governos nacionais estão abdicando de sua responsabilidade em questões urgentes", disse comissária de Nova York

Enquanto alguns líderes globais questionam se o mundo está enfrentando uma crise climática, várias cidades estão trabalhando para combater o aquecimento global e promover o desenvolvimento sustentável, e na próxima semana vão prometer relatar seus progressos à Organização das Nações Unidas (ONU).

Dezesseis cidades se comprometerão a implantar metas globais para acabar com a pobreza, a desigualdade e outros desafios até 2030 durante a reunião anual de líderes mundiais na ONU, e assinarão uma declaração voluntária esboçada pela cidade de Nova York.

O conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, aprovados por unanimidade pela 193 nações-membros da ONU em 2015, é uma lista abrangente de tarefas, abordando temas como conflitos, fome, degradação de terras, igualdade de gêneros e mudança climática.

“Estamos vivendo em uma época na qual governos nacionais estão abdicando de sua responsabilidade em questões urgentes. É por isso que as cidades estão tomando a iniciativa”, disse a comissária de Assuntos Internacionais da cidade de Nova York, Penny Abeywardena.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que descreveu o aquecimento global como uma farsa, golpeou duramente os esforços liderados pela ONU para combater a mudança climática ao retirar seu país do histórico acordo climático de Paris de 2015.

O presidente Jair Bolsonaro também tem expressado dúvidas quanto à questão de a mudança climática ser ou não provocada pelo homem e é ambivalente quanto ao acordo de Paris, mas recuou de uma promessa de campanha de romper com o pacto.

Quando indagado sobre a posição de Trump a respeito da mudança climática, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse aos repórteres na sexta-feira que existe “um comprometimento extraordinário com a ação climática” na sociedade norte-americana.

“Governos têm muito menos influência do que as pessoas podem imaginar”, disse ele durante uma visita às Bahamas, devastada recentemente por um furacão. “A influência é hoje, cada vez mais em relação à mudança climática, a respeito do que cidades, empresas e comunidades fazem.”

Neste ano, Nova York, Bristol, Buenos Aires, Helsinque, Los Angeles, Taipei, Santana do Parnaíba e o Estado mexicano de Oaxaca relataram avanços no desenvolvimento sustentável.

Nova York, Helsinque, Buenos Aires e outras 13 cidades serão as primeiras a assinarem uma declaração na próxima semana, na qual as cidades se comprometem “a usar a estrutura das MDS (metas de desenvolvimento sustentável) para fazer nossa parte para ajudar a acabar com a pobreza extrema, combater a desigualdade e a injustiça, e trabalhar para evitar os efeitos nocivos das mudanças climáticas até 2030”.

As outras cidades que pretendem assinar a declaração são Acra, em Gana; Barcelona, na Espanha; Bristol, no Reino Unido; Cidade do Cabo, na África do Sul; Freetown, em Serra Leoa; Kazan, na Rússia; Los Angeles, nos EUA; Malmo, na Suécia; Mannheim, na Alemanha; Montevidéu, no Uruguai; Prefeitura de Barcarena, no Brasil; Santa Ana, na Costa Rica, e Santa Fé, na Argentina.