Cidade velha de Damasco é novo alvo das forças de segurança

Neste bairro, outrora cheio de turistas, as forças de segurança montaram vários postos de controle, revistam os carros e verificam as identidades das pessoas

Damasco – Na entrada da rua de paralelepípedos Medhat Bacha, uma das ruas mais movimentadas da cidade velha de Damasco (Síria), um soldado pede a carteira de identidade de um homem de vinte anos que tem muito medo, que ele suspeita que pertença à rebelião.

Neste bairro, outrora cheio de turistas, as forças de segurança montaram vários postos de controle, revistam os carros e verificam as identidades das pessoas, principalmente dos jovens.

Ao se aproximar das barreiras, os pedestres continuam a andar, evitando olhar para os homens dos postos, por medo de serem presos ou pior, levados embora para interrogatório.

“Na rua Medhat Bacha, há mais de 70 barreiras”, disse um comerciante que tem uma loja de mosaicos. “Eu moro em Qaboune, onde os bombardeios não deram trégua esta manhã, eu vim para cá e olha o que acontece”, lamenta. “O que vai acontecer?”.

A cidade velha está agora sob controle, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que relatou uma grande campanha de ataques e prisões nesta região antiga de Damasco.

Vinte e duas pessoas foram presas pelas forças de segurança, que vasculharam um cemitério em busca de armas, de acordo com OSDH, organização que conta com uma rede de ativistas e testemunhas.

A tensão é palpável.

Os mercados, geralmente coloridos e ocupados, agora parecem mortos. Os comerciantes estão sentados à porta, observando os poucos clientes que fazem compras.


Segundo os Comitês Locais de Coordenação (CLC), que reúnem ativistas no terreno, em Chaghour, “as forças de segurança quebraram as portas das lojas que estavam fechadas” para abri-las à força, em meio a uma greve dos comerciantes, como sinal de protesto contra o regime.

Presentes em todas as entradas das principais ruas da cidade velha, incluindo Madhat-Bacha, Bazourié, Hariqa e Hamidyé, os soldados revistaram as casas ao redor de Bab Jabié e Bab Srigé, disseram moradores.

“Eles controlam as identidades dos jovens, à procura de elementos do Exército Sírio Livre (rebeldes, ESL)”, disse um vendedor em Madhat-Bacha.

De acordo com um joalheiro de Hariqa, os soldados invadiram cada casa “no início da manhã, à procura de homens armados”.

Os joalheiros esvaziaram suas lojas, mas deixaram algumas barras de ouro na vitrine, como para lembrar aos clientes que é melhor comprar ouro em tempos de guerra.

No coração da cidade velha, a polícia bloqueou a entrada principal da Mesquita dos Omíadas.

“Os soldados também estão tensos”, afirmou um comerciante em frente à sua loja de tecidos, onde brilham roupas de seda e toalhas bordadas com fios de ouro, típicas dos mercados de Damasco.

A polícia “inspeciona e faz o seu dever de impedir que os atiradores” entrem na cidade, disse, enquanto morteiros caem ao nascer do dia nos subúrbios ao sul da capital, em Assali, Nahr Aiche e Qadam, e nos subúrbios ao sul de Irbine, Al-Tal e Artouz, de acordo com OSDH.