Ciclone Kenneth atinge Moçambique um mês após Idai, que deixou mil mortos

Ciclone resultará, nos próximos dez dias, o dobro de chuvas das que foram originadas pelo ciclone Idai

O ciclone tropical Kenneth já deixou um morto durante a passagem por Moçambique, onde tocou terra na tarde de quinta-feira, e destruiu milhares de casas e prédios públicos, confirmou nesta sexta-feira o Instituto Moçambicano de Gestão de Desastres (INGC).

A vítima, uma mulher, morreu em Pemba, capital de Cabo Delgado, depois de ser atingida por uma árvore que caiu.

Kenneth, segundo ciclone que atinge Moçambique em menos de dois meses, danificou várias casas e causou inundações e interrupção nos serviços de distribuição de energia na província de Cabo Delgado, sobretudo nos distritos de Ibo, Macomia e Quissanga, próximos à fronteira com a Tanzânia, segundo a primeira avaliação do INGC.

Em Macomia, milhares de casas foram destruídas, devido especialmente à precariedade das construções, e em Ibo cerca de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Segundo o INGC, os centros de amparo criados nos últimos dias em colégios, onde estão abrigadas mais de 30 mil famílias, estão abarrotados, e são necessárias tendas, comida e água potável.

A porta-voz da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Clare Nullis, informou que não há dados na história sobre duas tempestades de tamanha intensidade atingirem Moçambique na mesma temporada.

Kenneth atingiu na quarta-feira as ilhas Comores, onde deixou três mortos, e continuou avançando até o continente “se intensificando rapidamente”, declarou Nullis em entrevista coletiva em Genebra.

“No auge, Kenneth chegou ao equivalente a um furacão muito forte de categoria 4 (na escala de intensidade de Saffir-Simpson, de um máximo de 5), enfraqueceu um pouco antes de tocar terra, mas os números iniciais mostram que seguia sendo de categoria 4 quando tocou terra com ventos de mais de 185 quilômetros por hora”, informou a porta-voz.

O ciclone tocou terra em uma área rural, ao contrário do Idai.

Kenneth caiu de categoria de ciclone para depressão tropical. No entanto, ainda são esperadas rajadas de ventos de até 70 quilômetros por hora e tempestades severas em Cabo Delgado e em algumas zonas de outras províncias.

Tanto Comores como Tanzânia e Malawi estão em alerta por causa da possibilidades das chuvas causadas por este novo fenômeno meteorológico.

Dezenas de milhares de pessoas continuam deslocadas quase um mês e meio depois da passagem do Idai e cerca de duas milhões de pessoas ainda precisam de ajuda humanitária, segundo a ONU.

Em março, o Idai atingiu Moçambique perto da cidade da Beira, na província de Sofala, e causou centenas de mortes – números oficiais indicam mais de 600, mas estimativas superam as mil vítimas – e deslocou milhares de pessoas. As inundações também levaram a surtos de cólera. O ciclone Idai também atingiu Madagascar, Malawi e Zimbábue. No total, a tempestade matou mais de mil pessoas e afetou mais de 3 milhões.