Choques entre exército e M23 deixam 115 mortos na RD Congo

Segundo o governador, entre esses mortos estão dois militares das Forças Armadas da RDC (FARDC)

Kinshasa – Pelo menos 115 pessoas morreram na quinta-feira em enfretamentos entre o exército da República Democrática do Congo (RDC) e o movimento rebelde M23, disse nesta sexta-feira à Agência Efe o governador da província oriental de Kivu do Norte, Julien Paluku.

Segundo o governador, entre esses mortos estão dois militares das Forças Armadas da RDC (FARDC).

“Acabaram de nos informar que a ministra ruandesa de Relações Exteriores pediu que cessem os combates, algo que não faz o menor sentido”, disse Paluku.

“Nós temos a mesma opinião, já que está sendo realizada uma reunião entre diferentes especialistas da Comunidade Internacional das Regiões dos Grandes Lagos (CIRGL) para debater sobre o desdobramento de uma força internacional na fronteira entre RDC e a Ruanda”, apontou.

Por enquanto, há uma trégua na zona conflituosa que diversos especialistas vinculam à chamada de paz de Ruanda, considerada por alguns como o padrinho de rebelião em Kivu do Norte.

Na opinião de Paluku, que não descarta um novo combate, as grandes baixas sofridas pelo M23 obrigaram a Ruanda ordenar a retirada de seus “apadrinhados”.


Por sua vez, o porta-voz do governo congolês, Lambert Mende, comentou em entrevista coletiva o relatório do Conselho de Segurança da ONU, no qual denomina Ruanda como país aliado da rebelião do M23.

Segundo o relatório, Ruanda recruta em seu território jovens para fazerem parte no M23, além de fornecer tudo o que for necessário a esse grupo rebelde e hospitalizar rebeldes feridos em um centro próximo ao aeroporto de Kigali. Ruanda nega sua intervenção no conflito.

O M23 é um grupo de soldados congoleses fiéis ao rebelde Bosco Ntaganda, procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade.

Nos últimos meses, a zona oriental da RDC foi palco de diversos enfrentamentos entre o exército e os rebeldes do M23, conflitos que começaram em abril por conta da perda de poder do líder do grupo, imposta pelo Executivo de Kinshasa, e reivindicaram novas negociações com o governo.

Estes enfrentamentos forçaram milhares de pessoas a buscarem refúgio nas vizinhas Uganda e Ruanda.

A RDC está ainda imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), na qual estiveram envolvidos vários países da África