China terá que lidar com eficiência e governança

País quer se tornar a maior economia mundial nos próximos anos, mas terá que lidar com desafios

São Paulo – A próxima década da China será dominada por dois grandes desafios, a eficiência e a governança, segundo Kerry Brown, diretor executivo do China Studies Center, da Universidade de Sidney. O diretor lembra que o grande objetivo do país é chegar em 2020 como uma grande economia, possivelmente maior que a dos Estados Unidos, se tornando a maior do mundo.

“A China tem uma fábrica de crescimento de PIB, mas temos que falar do PIB ligado à eficiência no futuro”, disse. A governança também seria utilizada como um meio chave para entregar eficiência. Kerry Brown participou da 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, realizada hoje, em São Paulo.

A era de Hu Jintao foi dominada pela enorme geração de riqueza, o que chega a um fim, deixando para o próximo governo a tarefa de lidar com questões sócio-políticas, sem deixar de ser um ator global, segundo Brown.

Apesar da eficiência e governança apareceram como pontos principais, Brown listou outros desafios estruturais que o país terá que enfrentar, como a urbanização. Atualmente, a população chinesa já divide-se de forma mais equilibrada entre cidade e campo, mas isso não é o suficiente, na visão do pesquisador. “Os documentos, registros de sociedades, acesso a bem estar social, tudo isso tem sido muito discutido. Ainda não foi resolvido e há diferentes acessos aos bens dependendo dos documentos que as pessoas têm”, disse. Além disso, há o problema da burocracia (uma pequena elite burocrática que toma decisões para o país todo).


Para Brown, o país também pode agir nos impostos, nas pensões e no meio ambiente. “Quanto mais impostos você paga, maiores as suas expectativas em relação ao Estado”, afirmou. O envelhecimento da população, por sua vez, pode pedir novas formas de financiar a aposentadoria.

Partido legítimo

David Kelly, diretor de pesquisas do China Policy e professor da Universidade de Pequim, afirmou que o partido chinês é legítimo. “A legitimidade é algo como uma avaliação de crédito”, segundo Kelly, que também participou do evento em São Paulo. Para o professor, um governo poderá ter cometido erros, ter problemas terríveis, “como os desastres da revolução cultural” e permanecer legítimo. Para o pesquisador, as fontes de legitimidade do estado chinês são muitas e profundas.

Kelly destacou que a unidade nacional é uma das estruturas de valor principais na China. “A China não tem uma religião nacional, há uma unidade nacional que funciona como uma fé nacional”, disse.

Diferentes características do país fazem com que ele não seja absolutamente transparente para o mundo, segundo Kelly. E daí que surgem as incertezas. “Vivo na China e não acho que é um estado fracassado. Em muitas formas a China é um estado bem sucedido e o partido é legitimo”, disse.