China promete reagir ao protecionismo americano

Premiê chinês diz que a volta das cotas à importação de têxteis prejudica a relação comercial entre os dois países

As relações comerciais entre Estados Unidos e China entraram em uma fase complicada neste final de semana. O governo chinês disse que haverá retaliações caso os EUA retomem o sistema de cotas de importação a produtos têxteis chineses, como divulgado na última sexta-feira.

Hoje, o governo chinês abrandou um pouco o tom do discurso. Em entrevista à agência de notícias Xinhua, o premiê Wen Jiabao disse que as medidas restritivas anunciadas pelos EUA comprometem o desenvolvimento de uma relação comercial saudável entre os dois países.

Na sexta-feira, porém, logo após a decisão dos EUA ser divulgada, o porta-voz do Ministério do Comércio da China havia adotado uma posição mais dura. Falou, inclusive, em retaliações e em outras medidas com base nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo The Wall Street Journal, a retomada das barreiras ao têxteis é um claro sinal de que o governo Bush irá endurecer as relações comerciais com a China. Trata-se de uma reação não apenas à transferência de empregos dos EUA para a economia chinesa. De acordo com o jornal americano, a medida protecionista anunciada na sexta-feira também pode ser vista como uma resposta dos EUA à falta de empenho do governo chinês no combate à pirataria.

As cotas de importação aos têxteis chineses expiraram em janeiro deste ano. Desde então, as encomendas de alguns artigos dispararam, acarretando um crescimento de 1 350% na importação de camisetas de algodão, 1 500% em calças e 366% em roupas íntimas. As novas medidas protecionistas irão dificultar a entrada de produtos nessas três categorias, mas é provável que outros segmentos sejam afetados em breve.