Rússia e China apoiam Maduro e criticam “intrusão” dos EUA na Venezuela

"A China apoia os esforços do Governo da Venezuela para manter a sua soberania, independência e estabilidade", afirmou a porta-voz do governo

Pequim – A China mostrou nesta quinta-feira apoio ao Governo da Venezuela presidido por Nicolás Maduro e censurou a “intrusão em assuntos internos” dos EUA no país sul-americano, depois que Washington reconheceu o autoproclamado líder interino Juan Guaidó.

“A China apoia os esforços do Governo da Venezuela para manter a sua soberania, independência e estabilidade”, afirmou hoje na entrevista coletiva diária a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

“Em 10 de janeiro, a China e muitos outros países e organizações internacionais enviaram representantes à cerimônia de posse do presidente Maduro”, acrescentou a porta-voz da chancelaria, em resposta a uma pergunta sobre se Pequim segue apoiando o citado líder.

Além disso, Hua destacou que seu país “se opõe à interferência nos assuntos internos da Venezuela” e desejou que a comunidade internacional faça “esforços neste sentido” para pôr fim à mesma.

Hua disse que a China deseja que “as partes na Venezuela procedam no interesse fundamental da nação e do povo sob as premissas do respeito à Constituição para resolver as diferenças políticas através do diálogo e das consultas”.

EUA e outros países do continente, como Argentina, Canadá, Brasil, Colômbia, Panamá, Peru, Equador, Costa Rica, Guatemala e Paraguai expressaram apoio a Guaidó enquanto México, Bolívia, Cuba, Nicarágua e Turquia apoiam Maduro.

Rússia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia defendeu nesta quinta-feira a legitimidade do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e acusou os Estados Unidos de tentarem desbancar o governo.

“O juramento do opositor ‘presidente interino da Venezuela ‘(Juan Guaidó) e seu imediato reconhecimento pelos Estados Unidos e outros países (…) procura acentuar a divisão da sociedade venezuelana, aumentar o confronto nas ruas (…) e aumentar a escalada do conflito”, declarou o ministério.

Segundo Moscou, a criação premeditada na Venezuela de uma “dualidade de poder”, ou seja, a formação de um centro alternativo de tomada de decisões, “leva diretamente ao caos, à destruição das bases do Estado venezuelano”.

O Ministério das Relações Exteriores ressaltou que nas ações “descaradas de Washington”, a Rússia vê “novas demonstrações de desprezo total das normas e princípios do direito internacional e uma tentativa de ter papel de juiz dos destinos de outros povos”.

Por sua vez, a União Europeia expressou seu “total apoio” à Assembleia Nacional como a instituição escolhida democraticamente na Venezuela, e apostou pela convocação imediata de eleições “críveis”.

Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela na quarta-feira após acusar Maduro de “usurpar” o poder.