China mantém apetite por títulos;dos EUA, mesmo com yuan forte

<I>As chances de a correção cambial chinesa afetar a demanda por títulos públicos emitidos pelo Tesouro americano são pequenas</I>

O mercado financeiro internacional está agitado com a possibilidade de valorização do yuan. Entretanto, mesmo que a moeda chinesa se valorize, não há perspectiva de uma alteração significativa no apetite chinês por títulos públicos americanos. Em reportagem desta sexta-feira (12/11), o americano The Wall Street Journal informa que um movimento de valorização cambial na China não deve ter impacto significativo no mercado de títulos, ainda que o país seja o segundo demandante global dos papéis (com 172 bilhões de dólares em estoque), atrás apenas do Japão (que acumula 723 bilhões de dólares em títulos públicos dos Estados Unidos). Segundo a reportagem, as compras do Japão e da China de títulos americanos são em parte responsáveis pela manutenção dos juros nos Estados Unidos em patamares historicamente baixos.

Qualquer alteração no regime cambial, ainda que tímida, será gradual. São poucos os agentes que acreditam que o governo permitiria que o yuan flutuasse livremente conforme as forças de mercado. O caminho que o Banco Central chinês deve adotar, diz The Wall Street Journal, passa por uma lenta ampliação da banda cambial até atingir uma nova cotação fixa, baseada em uma cesta de moedas.

Ainda depois disso, a dinâmica atual não seria alterada em sua essência: a autoridade monetária continuará precisando comprar dólares para manter a cotação e, conseqüentemente, vai seguir empregando os dólares das exportações na compra de títulos públicos americanos. Um dos analistas ouvidos pelo jornal estima que a mais provável valorização do yuan deve ficar na casa dos 5%. “A moeda continuaria tão barata que haveria pressão de alta do yuan, e o banco central ainda precisaria intervir [comprando dólares]”, afirma Mark McClellan, estrategista-chefe do BCA Research.