China já é o terceiro consumidor de carros do mundo

País perde apenas para Estados e Japão. Até 2015, estará em primeiro lugar, diz <EM>The Economist</EM>

Nem mesmo a bicicleta, símbolo milenar da sociedade chinesa, está resistindo à onda de modernidade que vem invadindo o país. Carros engarrafados já são comuns nos grandes centros urbanos, sinal da posição de destaque da China entre os principais consumidores de automóveis do planeta, perdendo apenas para Estados Unidos e Japão.

No ano passado, foram vendidos 5 milhões de veículos. Segundo a revista The Economist, se a demanda continuar nesse patamar o que é bem provável a China será o segundo maior mercado do mundo em três anos. Até 2015, provavelmente estará em primeiro lugar.

A rápida urbanização do país não é a única explicação, diz a revista britânica. A entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, obrigou o país a reduzir suas alíquotas de importação. Desde então, o preço dos automóveis vem caindo cerca de 10% ao ano.

Outra mudança crucial foi a desestatização da economia. Até os anos 90, as empresas estatais eram os principais empregadores, que também se responsabilizam pela moradia de seus funcionários. Uma bicicleta era mais do que necessário para fazer o trajeto. A explosão econômica, porém, trouxe na esteira a privatização do setor imobiliário abrindo as portas para o consumo de automóveis.

Cuidado, carros na pista

Carros exigem a construção de estradas, e é isso que o governo chinês tem feito nos últimos anos. De 2000 a 2002, a malha rodoviária de grande velocidade duplicou em extensão. Hoje, é a terceira maior do mundo, com um total de 1,8 milhão de quilômetros.

Conseguir uma licença para dirigir não é difícil, diz a revista britânica. É comum esbarrar com veículos estampando avisos do tipo “Motorista novato. Por favor, tenha cuidado”. E com razão. A China é hoje o país com o maior índice de mortes por acidente de trânsito: 680 mortos e 45 000 feridos ao dia. Nos Estados Unidos, onde o número de veículos é bem maior, são registradas, diariamente, 115 mortes.

O número de carros per capita ainda é pequeno: 7 ou 8 para cada 1 000 pessoas, enquanto a média global é de 120. Veículos privados somam 10 milhões na China, mas a população quer mais. A procura por financiamento foi tão forte que o governo teve de obrigar os bancos, no ano passado, a restringir esse tipo de empréstimo. A medida, no entanto, tem se mostrado ineficiente para conter o consumo dos sonhos de muitos chineses.