China iniciará processo de transição do poder em novembro

O Congresso decidirá quem serão os representantes da "sexta geração" de líderes que irão dirigir o país nos próximos dez anos

Pequim – O esperado XVIII Congresso do Partido Comunista da China (PCCH), que abre um processo de transição dos líderes do país para os próximos dez anos, começará no dia 8 de novembro.

Um reunião do Politburo, liderada pelo secretário-geral do Partido e chefe de Estado, Hu Jintao, propôs a data em reunião realizada nesta sexta-feira, segundo informou a agência de notícias oficial “Xinhua”.

O Congresso decidirá quem serão os representantes da “sexta geração” de líderes que irão dirigir o país nos próximos dez anos, após o mandato de Hu Jintao chegar ao fim.

Desta forma, serão nomeados os novos integrantes do Comitê Permanente de Politburo, o principal órgão dirigente do partido que controla todas as instâncias de poder no país.

Nos últimos anos, o Comitê contou com nove membros, embora os analistas especulem que o partido possa voltar à tradição e reduzir esse número a sete.

O Comitê seria presidido pelo ex-vice-presidente do país, Xi Jinping, que lidera as apostas de quem será nomeado pelo Congresso para o cargo de novo secretário-geral do partido, substituindo Jintao.

No processo de transição gradual que substitui os líderes na China, espera-se que Xi substitua Hu na chefia do Estado. Posteriormente, de acordo com as especulações, Xi assumiria a Comissão Militar Central, órgão que controla as Forças Armadas.

Neste processo, espera-se também que o atual vice-primeiro-ministro, Li Keqiang, seja nomeado Chefe de Governo, substituindo Wen Jiabao.


Os nomes das pessoas que ocuparão os influentes postos no Comitê Central do Partido foram objeto de intensos debates e negociações entre as distintas facções de poder nesta formação.

O desaparecimento de Xi da vida pública por 15 dias, no início do mês, por causas ainda não esclarecidas, deu margem a todos os tipos de especulações, incluindo a possibilidade de lutas internas dentro do partido.

Inicialmente, os especialistas calculavam que o Congresso seria realizado em outubro. A imprensa diz que o atraso foi causado pelas tensões do país com o Japão em torno do domínio das ilhas Diaoyu.

Outro fator que aumentou a tensão foi o escândalo protagonizado pelo dirigente Bo Xilai.

A data de início do Congresso ficou conhecida ao mesmo tempo que a expulsão de Bo do partido e sua entrega à justiça.

Na sessão desta sexta, o Comitê Permanente revisou o caso do ex-secretário-geral do partido na cidade de Chongqing, que é acusado de abuso de poder, corrupção e relações inapropriadas com diversas mulheres ao longo de sua vida política.

Bo foi cassado em março, ao mesmo tempo que sua esposa, Gu Kailai, foi apontada como principal suspeita pela morte do empresário britânico Niel Heywood, em novembro de 2011.

Gu foi condenada à morte em agosto, embora sua sentença tenha sido adiada, algo que na prática evita sua execução.

Até a explosão do escândalo, a imprensa apontava Bo como um dos membros do Comitê Permanente do Partido.

Dentro do partido, Bo representava uma corrente populista e defensora de valores do maoísmo, algo que já despertava suspeitas entre outras facções do regime.

Segundo “Xinhua”, o Congresso revisará o trabalho do Partido nos últimos cinco anos e examinará “a situação nacional e internacional cuidadosamente, levando em conta os novos requisitos para o desenvolvimento do país e as novas expectativas do partido”.

O Congresso “fará planos estratégicos para o avanço da reforma e o impulso para a modernização socialista”, acrescentou a agência chinesa “Xinhua”.