China faz demonstração de força próximo às ilhas em disputa

O país utilizou 11 navios de guerra e quatro aviões em manobras militares perto da área disputada com o Japão

Pequim – A China utilizou 11 navios de guerra e quatro aviões em manobras militares realizadas nesta sexta-feira no Mar da China Oriental – onde se encontra o arquipélago Diaoyu, que é disputado com o Japão (que as denomina Senkaku) -, para fazer uma suposta demonstração de força perante as tensões entre ambos os países.

Poucas semanas antes do Japão, junto com os Estados Unidos, efetuar alguns testes militares conjuntos na região Ásia Pacífico, a China decidiu se adiantar ao anunciar ontem que sua Armada realizaria uma série de “exercícios” na região citada, os quais contaram com um desdobramento de mil soldados.

As fotografias publicadas nesta sexta pelo Ministério de Defesa da China em seu site mostram navios da frota do Exército Popular de Libertação (EPL), junto de embarcações de patrulha, próximos do que parece ser um conjunto de ilhas.

Os exercícios militares da Marinha, realizados de maneira “conjunta” com a Administração Pesqueira do país e com o organismo de vigilância marítima, tinham o objetivo de “afinar uma resposta perante as possíveis emergências nas missões para salvaguardar a soberania territorial e os interesses marítimos”.

Em comunicado, a frota da Armada voltou a ressaltar esse objetivo e confirmou que os exercícios foram realizados em uma área próxima à província oriental de Zhejiang (na China).

O anúncio desta demonstração de força veio à tona depois que, na última quinta, vários ministros japoneses visitassem o controvertido santuário tokiota de Yasukuni, símbolo relacionado com o imperialismo japonês, que provoca historicamente o mal-estar da China e da Coreia do Sul, países que mais sofreram com a expansão imperialista japonesa.


Apesar de a imprensa internacional considerar que as manobras realizadas pela China “aumentarão” a tensão entre ambas as potências, alguns analistas discordam desta postura ao considerar que a atitude assumida por Pequim não é “mais agressiva” do que a dos demais países.

Esse é o caso do analista Douglas H. Peel, da Fundação Carnegie, que considera que as reações da China sempre chamam mais atenção do que as do Japão e de outros vizinhos, como as Filipinas e a Coreia do Sul, países com os quais os chineses também possuem disputas territoriais.

H. Peel, que expõe sua análise sobre a disputa em torno das ilhas Diaoyu (Senkaku para o Japão) no site da fundação citada, assegurou que este conflito não deverá ter “maiores proporções”, embora tenha alertado que essa situação pode ter um alto custo nas relações comerciais.

Desde setembro, quando a situação se recrudesceu devido ao anúncio da compra de três das ilhotas em disputa por parte do Japão, o dano econômico já se torna mais que evidente.

“Estão perdendo frações de mercado: os exportadores japoneses que utilizam marcas japonesas com experiência na China e vice-versa, com os produtos chineses no Japão”, declarou o especialista, que atribui esse conflito a um erro “de diplomacia”.


Um erro, neste caso de perspectiva, foi o que o porta-voz chinês do Ministerio das Relações Exteriores, Hong Lei, considerou ao falar da visita dos representantes japoneses ao santuário em um momento em que o sentimento anti-japão na China está mais que latente.

Em sua entrevista coletiva diária, Hong pediu aos políticos japoneses “refletirem” sobre a História e respeitar o sentimento da população que sofreu o imperialismo japonês, o mesmo tom usado por hoje por Tóquio, que voltou a defender uma via de “negociação” para resolver o conflito das ilhas Diaoyu/Senkaku.

Por enquanto, a disputa sobre o arquipélago – que supostamente pode abrigar grandes reservas de hidrocarbonetos – motivou desde uma onda de manifestações, em alguns casos violentas, até o cancelamento dos atos para comemorar o 40º aniversário do reinício de relações diplomáticas entre Tóquio e Pequim.

Dezenas de empresas japonesas também decidiram paralisar suas atividades por causa do medo de possíveis ataques, como os que sofreram algumas fábricas de reconhecidas marcas japonesas e, inclusive, alguns cidadãos japoneses na China.

Enquanto isso, Pequim mantém sua posição “resolutiva e determinada” para defender a soberania de seu território, além de seguir esperando que o Japão – que também iniciará manobras nas polêmicas águas nas próximas semanas -, “enfrente a realidade”. EFE