China facilita regras para empresas locais investirem no exterior

Medidas também pretendem aliviar a pressão sobre Pequim para revalorizar o yuan, segundo especialistas

O governo chinês anunciou medidas para incentivar as empresas locais a investir no exterior, como a redução substancial dos procedimentos burocráticos e a aceitação de documentos via internet. Segundo especialistas consultados pelo americano The Wall Street Journal, ao encorajar o fluxo de capitais para o exterior, a China também estaria buscando formas de aliviar a pressão sobre Pequim para revalorizar a moeda local, o yuan.

A China é o país que mais recebe investimentos estrangeiros diretos no mundo (leia reportagem de EXAME sobre como a China está atraindo investidores). No ano passado, o estoque de investimentos internacionais em solo chinês, que indica a soma de tudo o que já foi aplicado no país por estrangeiros, alcançou 53,5 bilhões de dólares.

Em contrapartida, os chineses aplicam bem pouco em outros lugares. Embora a taxa anual de crescimento dos investimentos da China no exterior seja de 5,5%, o total em 2003 alcançou 2,85 bilhões de dólares. As empresas estatais responderam por 43% da quantia. Os destaques foram para as companhias de petróleo e mineração que, por motivos estratégicos, investem no exterior para assegurar reservas de longo prazo para o país.

As novas regras, divulgadas pelo Ministério do Comércio, agora pretendem também incentivar as pequenas empresas. Segundo James Zhan, economista sênior da Unctad (a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), mesmo antes das medidas anunciadas pelo governo chinês, as empresas locais já realizavam um esforço para diversificação de seus investimentos externos. Esse esforço também passa pelo Brasil. Um exemplo são os interesses em adquirir terras brasileiras para plantar soja. Outro é o acordo entre a Companhia Vale do Rio Doce e a Aluminum Corporation of China para construção de uma fábrica de alumina no Pará. A Vale também pretende erguer uma siderúrgica no Maranhão em parceria com a Baosteel.

Além dos recursos naturais, as companhias também estão procurando expandir seus negócios em manufaturados, investindo na África, no Oriente Médio e no Sudeste Asiático. Outras companhias estão se qualificando para tentar entrar no mercado europeu.

Uma pesquisa da Unctad divulgada neste ano aponta que a China deve se tornar o quinto maior investidor em negócios em outros países nos próximos quatro anos. Se a previsão for cumprida, os chineses terminarão o período atrás da França e à frente do Japão.