China estuda processar “fugitivos econômicos” nos EUA

China estuda processar indivíduos suspeitos de cometerem crimes econômicos e fugirem para os Estados Unidos e outros países com bilhões de dólares

Pequim – A China estuda processar indivíduos suspeitos de cometerem crimes econômicos e fugirem para os Estados Unidos e outros países com bilhões de dólares, uma medida incomum em meio a uma crescente campanha anticorrupção, disse uma autoridade de alto escalão nesta quarta-feira.

A medida, parte do combate a corrupção do presidente Xi Jinping, traz à tona os desafios enfrentados pela China na busca pelo repatriação dos chamados fugitivos econômicos.

Xu Hong, diretor-geral do Departamento de Leis e Tratados do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a China está tentando persuadir os EUA a assinarem um tratado de extradição, mas Washington alega que “não está pronto”. “Então, nesse caso, podemos apenas pensar em outro método alternativo”, disse Xu em uma coletiva de imprensa.

“Uma maneira é repatriar suspeitos relevantes através do mecanismo da imigração ilegal, outro caminho é processá-los nos Estados Unidos, para que os suspeitos sejam julgado sob a legislação dos EUA”.

O Grupo de Integridade Financeira Global, com sede em Washington, estima em 1,08 trilhões de dólares foram retirados ilegalmente da China entre 2002 e 2011. A China disse antes neste mês que capturou 288 fugitivos suspeitos de cometerem crimes econômicos, em uma campanha chamada “Operação Caça Raposa”.

Xu disse que alguns juízes em países ocidentais, tais como os EUA e Canadá, demonstram “preconceito” em relação ao sistema legal da China e mostram-se relutantes em extraditar autoridades e executivos suspeitos de corrupção.

Governo ocidentais tem se negado a firmar acordos de extradição com a China por causa de denúncias feitas por grupos de direitos humanos de que a tortura é usada com frequência por autoridades judiciais chinesas, e que a pena de morte é usada indiscriminadamente em casos de corrupção.

A China possui tratados de extradição com 39 países, mas não com os EUA e Canadá, dois dos destinos mais populares para fugitivos suspeitos, de acordo com Xu. O governo não vai fazer acordos com corruptos suspeitos para que retornem à China, disse Xu, mas eles enfrentariam punições mais brandas caso se entreguem.

“As agências de garantia da lei e justiça chinesas não vão negociar com esses fugitivos”, disse Xu. “Vamos trabalhar dentro do escopo da lei.”