China e Índia travam disputa por companhia de petróleo

Briga pela PetroKazakhstan mostra o crescente apetite dos dois países por fontes de energia para sustentar sua expansão econômica

China e Índia já começam a travar batalhas próprias de dois países emergentes que, para muitos analistas, têm vocação para se tornar potências mundiais até a virada do século. A disputa mais recente envolve a compra da PetroKazakhstan, uma companhia canadense que explora petróleo na ex-república soviética do Cazaquistão. Nesta terça-feira (23/8), a China National Petroleum Corp. (CNPC) declarou que bateu a proposta de um consórcio indiano, ao oferecer 4,18 bilhões de dólares pela empresa.

Segundo o americano The Wall Street Journal, a PetroKazkhstan é uma companhia pequena no ramo. A disputa pela empresa, porém, reflete a crescente necessidade de chineses e indianos de assegurar fontes de petróleo, a fim de sustentar sua acelerada expansão econômica. Embora os Estados Unidos continuem os maiores consumidores mundiais de petróleo, China e Índia são apontados como os grandes mercados do futuro, já que sua população está trocando seus tradicionais meios de transporte bicicletas e scooters por carros de passeio.

Atualmente, por exemplo, a Índia importa 70% do petróleo que consome. Já a demanda chinesa é tão forte que vários analistas a têm responsabilizado, nos últimos 18 meses, por uma parcela dos aumentos do preço do óleo cru no mercado internacional. Três meses atrás, outra petrolífera do país, a Cnooc, surpreendeu os americanos ao propor a compra da Unocal. A forte reação contrária do Congresso dos Estados Unidos, porém, acabou dissuadindo a empresa de concluir o negócio (se você é assinante, leia ainda reportagem de EXAME sobre o avanço chinês nos Estados Unidos).

O consórcio indiano que disputa com a CNPC a compra da PetroKazakhstan é composto, entre outras empresas, pela ONGC Videsh e por uma companhia financeira controlada pelo bilionário Lakshmi Mittal, que espantou o mundo, no ano passado, ao criar um dos maiores conglomerados siderúrgicos mundiais. Segundo um representante da ONGC, o consórcio perdeu para a CNPC “por muito, muito pouco”. Por isso, o grupo estuda agora uma contraproposta.