China e EUA ampliam protocolos militares e confiança mútua

"As medidas indicam um novo progresso na construção de dois mecanismos de confiança mútua", disse porta-voz do Ministério da Defesa chinês

Pequim – China e Estados Unidos assinaram anexos a dois acordos sobre operações militares em grande escala e encontros militares tanto aéreos como navais, enquanto ambos os países tentam estimular a confiança mútua em meio às tensões no Oceano Pacífico.

Os anexos focam na “notificação de uma crise militar”, “encontros no ar” e “mecanismos de confiança mútua”, de modo a haver um sistema de comunicação sobre operações militares e se respeitar um código de conduta nos encontros aéreos e navais entre os países.

O anúncio das assinaturas foi feito nesta quinta-feira por um porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Wu Qian, em entrevista coletiva em Pequim, segundo a agência oficial “Xinhua”.

“As medidas indicam um novo progresso na construção de dois mecanismos de confiança mútua”, disse Wu, que não deu mais detalhes dos apêndices, que ampliam mecanismos estipulados pelos presidentes de ambos os países, Xi Jinping e Barack Obama, durante a visita do líder americano à China em novembro do ano passado.

Esses mecanismos tinham sido propostos por Xi durante sua viagem à Califórnia em junho de 2013. De acordo com o porta-voz militar, durante esse tempo, os departamentos de Defesa de ambos os países trabalharam e cooperaram de perto para alcançar resultados como este.

A assinatura dos anexos ajudará a aumentar a confiança mútua e a evitar maus entendidas no mar e no ar, e também contribuirá para que as duas partes construam um “novo modelo de relações” e de “cooperação militar bilateral”.

O anúncio ocorre enquanto Xi realiza viagem de Estado aos EUA, a primeira desde que se tornou presidente. Xi se reunirá amanhã com Obama na Casa Branca, onde ambos concederão uma entrevista coletiva conjunta e desfrutarão de um jantar de gala junto às primeiras-damas.

As duas potências mantêm frequentes tensões pelo controle do Oceano Pacífico, principalmente desde que Pequim aumentou suas operações e construções em águas do Mar da China Meridional, que Washington considera abusivas.

A intenção dos EUA é transferir 60% de sua frota ao Oceano Pacífico em 2020, o que a China acredita ser destinado a conter sua ascensão como potência regional e mundial.