China ajudará Bangladesh em repatriação de rohingyas a Mianmar

Segundo a ONU, Bangladesh acolhe cerca de 915 mil rohingyas procedentes de Mianmar, entre eles cerca de 700 mil que chegaram desde agosto do ano passado

Pequim – A China apoiará o processo de retorno dos rohingyas atualmente refugiados em Bangladesh até Mianmar, seu país natal, segundo foi anunciado nesta sexta-feira após a reunião entre os ministros das Relações Exteriores chinês e bengalês.

O ministro chinês, Wang Yi, que ontem se reuniu em Pequim com o ministro de Assuntos Governamentais de Mianmar, Seung Dingrui, afirmou que a China “seguirá desempenhando um papel construtivo” depois do trabalho de mediação diplomática que esteve desenvolvendo no último ano.

“Certamente, a China oferecerá ajuda neste processo”, declarou hoje em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Lu Kang, que acrescentou que Pequim também “está disposta” a oferecer mais assistência aos rohingyas que permanecem refugiados em Bangladesh.

Wang, em declarações conjuntas ao lado do ministro bengalês Mahmoud Ali, afirmou que, com a ajuda da ONU, as condições para iniciar a repatriação estão “praticamente fechadas” e que acredita que o trabalho de preparação será concluído “o mais rápido possível”.

Ali destacou que Wang lhe garantiu que a China fornecerá ajuda para facilitar o retorno, segundo detalhou o Ministério de Relações Exteriores de Bangladesh em comunicado.

O ministro bengalês também disse a Wang que os rohingyas estão “tão traumatizados” que querem uma “garantia sólida de sua segurança antes de iniciarem o retorno”, e insistiu que os mesmos querem voltar “para suas populações originais, não para acampamentos”, por isso necessitam de oportunidades para ganharem a vida.

Segundo dados da ONU, Bangladesh acolhe aproximadamente 915 mil rohingyas procedentes de Mianmar, entre eles cerca de 700 mil que chegaram desde 25 de agosto do ano passado.

A pressão internacional levou Mianmar e Bangladesh a assinarem um acordo em 23 de novembro de 2017 para a repatriação de integrantes da minoria rohingya, pelo qual os refugiados que chegaram a Bangladesh começariam a retornar em 23 de janeiro.

No entanto, sete meses depois da assinatura do acordo, o processo formal de repatriação ainda não começou.