Chile também precisa brigar na OMC por livre comércio

País ameaça pedir painel arbitral na Organização Mundial do Comércio contra barreiras da União Européia impostas às importações de salmão

O Chile está em plena campanha diplomática para eliminar as salvaguardas impostas pela União Européia (UE) sobre o comércio de salmão, um dos produtos chilenos que vem conquistando mais mercados externos. Nesta semana, foram mantidas negociações em Genebra com a Noruega, o maior produtor mundial do pescado, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o embaixador chileno junto ao órgão, Alejandro Jara, as medidas aplicadas pela UE são incompatíveis com os acordos de comércio internacionais. Mesmo que não fossem incompatíves, acrescenta Jara, elas exageram na dose, incluindo no mesmo pacote cotas, preços mínimos e garantias. Um dos argumentos utilizados pelo diplomata é que a UE não pode comprovar danos à sua indústria decorrentes da importação de salmão chileno. As exportações chilenas de salmão e truta alcançaram 1,4 bilhão de dólares no ano passado, 5% do total das vendas externas. Em 1994, as vendas externas dos dois peixes totalizaram apenas 349 milhões de dólares.

Os europeus têm até 10 de maio para decidir se eliminam as barreiras voluntariamente ou não. Caso a UE decida mantê-las, o Ministério das Relações Exteriores do Chile já avisou que vai pedir a formação de um painel na OMC, como o solicitado pelo Brasil contra os Estados Unidos, na questão dos subsídios aos produtores de algodão.