Chile pede informações sobre casos de abusos sexuais ao Vaticano

Ministério das Relações Exteriores do Chile solicitou ao Vaticano informações relacionadas aos nove membros do clero acusados de abusos

Santiago – O governo chileno pediu nesta terça-feira para o Vaticano entregar documentos relacionados às acusações de abusos sexuais cometidos por clérigos no Chile contra menores de idade, conforme procuradores locais intensificam operações em escritórios da Igreja Católica Romana em Santiago.

Procuradores chilenos disseram em comunicado que o Ministério das Relações Exteriores do Chile, através de sua embaixada na Itália, havia solicitado ao Vaticano informações relacionadas aos nove membros do clero acusados de abusos.

De acordo com nota dos procuradores, a polícia realizou busca nesta terça-feira na Conferência Episcopal, a liderança da Igreja no Chile, em um esforço para buscar evidências de acusações feitas sobre membros da comunidade religiosa dos Irmãos Maristas.

O promotor Raul Guzman disse a repórteres nesta terça-feira que a polícia coletou documentos e computadores da Conferência Episcopal e começou a processar as informações.

“Este é um caso particular que tem a ver com uma investigação em andamento. O promotor queria complementar o histórico que ele já recebeu pesquisando novas informações hoje”, disse Jaime Coiro, porta-voz da Conferência Episcopal, após a operação.

Um escândalo sobre acusações de abusos sexuais e acobertamentos dentro da Igreja no Chile fez com que o papa Francisco iniciasse uma investigação que resultou nas renúncias de diversos bispos e padres.

Procuradores chilenos disseram estar investigando 38 casos de crimes sexuais cometidos por clérigos e leigos contra menores de idade e adultos. Há 73 pessoas sob investigação e 104 vítimas, a maioria delas menores de idade na época dos abusos.

A operação é a mais recente em diversos escritórios de figuras seniores da Igreja no Chile, conforme procuradores buscam evidências para sustentar acusações de abusos sexuais cometidos por clérigos e não relatados à polícia civil.