Diplomatas alemães e turcos se reúnem em clima de tensão

"O encontro (entre o alemão Guido Westerwelle e o turco Ahmet Davutoglu) ocorreu em uma atmosfera construtiva e amigável", indicou o ministério da Alemanha

Os líderes da diplomacia alemã e turca se reuniram neste sábado em Doha para discutir as relações da UE e da Turquia, anunciou o ministério alemão das Relações Exteriores.

“O encontro (entre o alemão Guido Westerwelle e o turco Ahmet Davutoglu) ocorreu em uma atmosfera construtiva e amigável”, indicou o ministério em um breve comunicado divulgado em Berlim.

Os dois líderes reuniram-se à margem da reunião do grupo dos Amigos da Síria, em Doha. “Foi uma intensa troca de pontos de vista em um espírito de parceria e amizade”, acrescentou, citando uma “longa reunião” sobre “questões atuais das relações da União Europeia com a Turquia e as relações bilaterais”.

Neste sábado, o embaixador da Alemanha em Ancara, Eberhard Pohl, foi convocado a comparecer no ministério turco das Relações Exteriores após as críticas de Berlim sobre a repressão das manifestações anti-governo na Turquia.

Pohl permaneceu por uma hora e quinze minutos no ministério, segundo o canal NTV.

Nenhuma das duas partes quis comentar esta reunião.

Na sexta-feira a tensão aumentou entre Berlim e Ancara. A Turquia rejeitou veementemente as críticas alemãs da repressão do governo.


Os embaixadores dos dois países foram convidados a se apresentar em seus respectivos ministérios das Relações Exteriores.

O ministro turco dos Assuntos Europeus, Egemen Bagis, chegou a ameaçar a chanceler Angela Merkel para qualquer tentativa de bloquear a abertura de uma nova fase de negociações da adesão da Turquia à UE.

“A Turquia não é qualquer país”, afirmou Bagis, denunciando uma “manobra eleitoral” de Merkel antes das eleições parlamentares na Alemanha.

Bagis havia criticado na quinta a relutância da Alemanha em avançar em direção a uma possível entrada da Turquia na União Europeia, advertindo que a chefe de Governo não deveria usar esta questão como “material de sua campanha eleitoral”.

A chanceler alemã sempre deixou claro o seu ceticismo em relação às negociações de adesão da Turquia à UE, que começaram em 2005 e que vem progredindo muito lentamente. Mas, no início do ano, ela havia mostrado favorável à abertura de um novo capítulo nas negociações.

No entanto, de acordo com diplomatas europeus, Alemanha e Holanda se opõem à abertura deste capítulo, na esteira das críticas à violenta repressão aos protestos contra o governo que agitaram a Turquia por quase três semanas.

Se um acordo unânime dos 27 países membros não for alcançado segunda-feira em Bruxelas, a Conferência Intergovernamental que daria permissão na quarta-feira para a abertura desta nova fase poderia ser adiada, de acordo com diplomatas europeus.