Chefe da Polícia renuncia, e situação se normaliza no Equador

Freddy Martínez alegou que `um comandante desrespeitado, maltratado e agredido por seus subalternos não pode ficar à frente deles´

Quito – O chefe da Polícia do Equador, Freddy Martínez, renunciou hoje ao cargo, enquanto a situação no país se normaliza após um dia de manifestações e enfrentamentos decorrentes da insatisfação trabalhista entre as forças de segurança do país.

Ontem, policiais passaram o dia protestando pela medida que corta gratificações e que afeta os salários, o que obrigou o presidente equatoriano, Rafael Correa, a se refugiar em um hospital da Polícia Nacional até a situação se acalmar.

Martínez tentou acalmar os ânimos depois que os protestos se transformaram em uma tentativa de golpe de Estado, a julgamento do Governo.

Apesar de seus esforços, o chefe da Polícia anunciou sua renúncia, que ainda deve ser aceita por Correa, porque “um comandante desrespeitado, maltratado e agredido por seus subalternos não pode ficar à frente deles”, disse Martínez em entrevista coletiva.

Ele também pediu, assim como o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, o general Ernesto González, que o Governo revise a proposta que desencadeou os distúrbios. O Executivo, no entanto, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Martínez destacou que acredita que havia pessoas infiltradas no protesto dos policiais. Para Correa, havia membros da Sociedade Patriótica, partido político do ex-presidente Lúcio Gutiérrez (2003-2005).

   <hr>  <p class="pagina">O cerco dos policiais ao hospital em que estava o presidente terminou violentamente ontem à noite, quando membros da Força Terrestre do Exército e do Grupo de Operações Especiais (GOE), corpo da Polícia leal ao Governo, enfrentaram os policiais rebelados e conseguiram resgatar Correa.</p> <p>Duas pessoas morreram na operação: Froilán Jiménez, membro do Grupo de Intervenção e Resgate, e Juan Pablo Bolaños, um estudante universitário que estava perto do hospital junto à sua família para apoiar Correa.</p> <p>Os números oficiais falam em pelo menos 27 feridos.</p> <p>Hoje, a situação foi se acalmando em Quito e Guayaquil, cidades que registraram os principais distúrbios, e os aeroportos já funcionam normalmente.</p> <p>No entanto, o Governo mantém o estado de exceção declarado ontem e as escolas do país permanecem de portas fechadas.</p> <p>A praça onde está situado o Palácio de Carondelet, sede do Executivo, permaneceu isolada por um contingente de militares, enquanto dezenas de seguidores do chefe de Estado se reuniam nas ruas próximas.</p> <p>"Viemos apoiar o presidente da República. O que aconteceu ontem foi catastrófico para o país", disse um homem de 55 anos, quem viajou durante a madrugada desde Santa Elena, a 500 quilômetros de Quito, com outros 30 moradores da região.</p>       <hr>  <p class="pagina">Do outro lado da cidade, no Hospital da Polícia Nacional onde Correa ficou abrigado, a luz do dia revelou as consequências da violência do dia anterior: portas e cadeiras quebradas, buracos de bala em janelas e paredes e manchas de sangue.</p> <p>O chão da entrada do hospital estava coberto por cacos de vidro, assim como outros locais do prédio, onde muitas pessoas disseram ter passado "por uma das piores experiências" de suas vidas, segundo declarações à Agência Efe.</p> <p>O cheiro de gás lacrimogêneo permanece no hospital, irritando olhos e nariz de quem circula pelo local mesmo um dia após os confrontos.</p> <p>No chão do primeiro andar do hospital, panfletos convocando as pessoas a se unirem aos policiais na luta por seus "direitos" lembravam a origem do protesto.</p> <p>Leia mais notícias sobre a <a href="http://portalexame.abril.com.br/topicos/america-latina1.shtml">América Latina</a></p> <p>Siga as notícias do site EXAME sobre <a href="http://twitter.com/EXAME_mundo">Mundo no Twitter</a></p>    <hr>