Chefe de polícia renuncia na Inglaterra após escândalo

Chefe do policiamento na cidade inglesa de Rotherham renunciou após ocorrências de exploração sexual de cerca de 1.400 crianças

Londres – O chefe do policiamento na cidade inglesa de Rotherham, no norte da Inglaterra, renunciou nesta terça-feira ao cargo para o qual foi eleito depois de semanas resistindo à pressão política para que saísse devido a um escândalo envolvendo a exploração sexual de cerca de 1.400 crianças.

Shaun Wright era responsável pelos serviços relacionados a crianças para o governo local durante o período em que alguns dos abusos ocorreram.

Um relatório independente no mês passado revelou que os crimes duraram 16 anos.

Wright disse que estava se demitindo como Comissário de Polícia e Crime para South Yorkshire porque o foco é o apoio às vítimas de abuso em Rotherham, cometidos numa escala que chocou o país, e levar os responsáveis ​​à Justiça.

“Com isso em mente, eu sinto que agora o certo é me demitir… para o bem das vítimas, para o bem do público de South Yorkshire e para assegurar que as questões importantes delineadas no relatório sobre a luta contra a exploração sexual de crianças possam ser discutidas e consideradas na sua totalidade”, disse ele em comunicado.

O relatório do mês passado assinalou que um grande número de crianças, principalmente meninas brancas em lares de assistência social, e algumas com apenas 11 anos, foram abusadas sexualmente por grupos de homens predominantemente asiáticos e que algumas foram traficadas para outras cidades do norte da Inglaterra para serem estupradas.

O relatório levou a acusações de que a polícia e o conselho local durante anos ignoraram os avisos e relatos de incidentes por causa da origem das vítimas, e também indicou que funcionários tinham fechado os olhos por medo de serem rotulados como racistas.

Wright era chefe dos serviços das crianças em Rotherham, entre 2005 e 2010, antes de ser eleito para o seu trabalho como comissário encarregado de supervisionar a força policial local.

Ele disse que não sabia dos abusos enquanto estava no cargo anterior.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, a ministra do Interior, Theresa May, e o líder do Partido Trabalhista, de oposição, Ed Miliband, haviam pedido sua renúncia, mas ele vinha resistindo à pressão.

Os comissários de polícia foram incorporados pelo governo de Cameron em 2010 para supervisionar o trabalho das forças policiais e definir suas prioridades, mas a revelação, durante o escândalo, de que eles não poderiam ser demitidos levou a pedidos para que a lei fosse alterada.