Chanceler paraguaio: declarações de Unasul são positivas

Unasul e o Mercosul suspenderam o Paraguai em 29 de junho ao considerar que no país aconteceu um 'quebra democrática' com a destituição do presidente Fernando Lugo

Assunção – O chanceler paraguaio, José Felix Fernández Estigarribia, qualificou como positivas as declarações do enviado da Unasul, Salomón Lerner, que não foi recebido pelas autoridades do governo durante sua visita à capital Assunção.

‘Suas declarações me pareceram positivas’, disse Estigarribia, neste sábado, sobre as declarações dadas por Lerner na sexta-feira, antes de concluir sua visita de dois dias à capital paraguaia para obter informações sobre a situação do país, que enfrenta a suspensão na Unasul e no Mercosul desde junho.

O enviado do bloco regional expressou, perante jornalistas, que observou um desenvolvimento normal do processo eleitoral paraguaio com relação às eleições do 21 de abril de 2013.

Lerner lidera o Grupo de Alto Nível que apresentará um relatório sobre o Paraguai na Cúpula da Unasul, que será realizada em Lima, entre os dias 29 e 30 de novembro próximo.

‘Vamos esperar a cúpula que está marcada para Lima no fim do mês e suponho que a partir disso, terão que tirar as as sanções contra o Paraguai’, mencionou o chanceler em declarações reproduzidas pela agência pública ‘IP Paraguai’.

O enviado esclareceu que sua visita ao país não foi oficial e que respondeu a um convite do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), que lhe entregou um pedido para participar da ‘observação eleitoral’.

Lerner disse que aguarda também o convite oficial do Governo, presidido desde 22 de junho pelo ex-vice-presidente Federico Franco.

A Unasul e o Mercosul suspenderam o Paraguai em 29 de junho ao considerar que no país aconteceu um ‘quebra democrática’ com a destituição do presidente Fernando Lugo em um controvérsio julgamento político.

‘A realidade é que aqui há absoluta calma, o povo paraguaio se comportou à altura dos melhores povos do mundo como é sua tradição. Temos uma democracia que funciona com suas instituições. A prova é que o senhor Lerner pôde fazer o que queria no Paraguai, o Governo não pôs nenhum impedimento, nenhum controle’, disse Estigarribia.

O Governo de Franco recusou receber em audiência o representante da Unasul, como confirmou o próprio enviado, e emitiu na quinta-feira um comunicado no qual expressou suas dúvidas sobre a ‘imparcialidade de opinião’ do bloco, sem mencionar Lerner e sua visita.