Chanceler palestino visitará Venezuela na semana que vem

Viagem deverá abordar a oferta do presidente venezuelano de abrigar crianças órfãs da Palestina

Caracas – O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, confirmou nesta sexta-feira que o chanceler palestino, Riad Maliki, visitará o país semana que vem, uma viagem na qual será abordada a oferta do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de abrigar crianças órfãs da Palestina.

“Atualmente vamos definir com a embaixadora (da Palestina em Caracas, Linda Sabeh Alí) e quando o chanceler vier semana que vem para que eles autorizem a vinda das crianças que ficaram órfãs por este novo massacre do exército israelense contra o povo palestino”, disse Jaua.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela contou a proposta durante uma entrevista ao canal estatal “VTV”, uma conversa que também teve a participação da embaixadora da Palestina no país caribenho, que agradeceu a solidariedade venezuelana com a situação de Gaza.

Jaua assinalou que o governo venezuelano está cumprindo uma série de rigorosos trâmites para realizar a migração dos menores ao país e antecipou que já foram realizadas reuniões com institutos estatais de defesa dos direitos das crianças, e que esteve “em contato com a Unicef”.

O chefe da diplomacia venezuelana reiterou que se trata de um assunto “muito delicado” e que em primeiro lugar “o governo legítimo” da Palestina deve autorizar que suas crianças sejam enviadas ao país caribenho “para serem abrigadas, protegidas” até que possam retornar para sua terra quando ela for “livre, independente e em paz”.

A embaixadora palestina disse que seu país está “muito agradecido” e assinalou que a mudança das crianças para a Venezuela “é uma oportunidade de receberem tratamento, reabilitação, brindá-los com carinho e amor” e poder voltar depois à Palestina “com saúde, descansados e serem parte da luta”.

O governo de Maduro também enviará na próxima segunda-feira à Palestina 12 toneladas de ajuda humanitária composta por alimentos, remédios e roupas, entre outros artigos.

A Venezuela, que rompeu as relações diplomáticas com Israel em 2009 por causa de uma ofensiva anterior, reiterou nos últimos dias as denúncias do que considera um ataque desmedido contra a população civil e Palestina, sublinhando a responsabilidade israelense como “potência ocupante”.

Maduro, um ferrenho defensor da causa Palestina, com quem mantém relações bilaterais de alto nível, insiste que o que acontece em Gaza é uma “guerra de extermínio”.