Chanceler iraniano tuíta “feliz ano novo” para judeus

Dois sinais de uma possível modernização no governo iraniano de uma só vez: ministro das Relações Exteriores cria conta no twitter e manda mensagem a judeus

São Paulo – As relações entre Irã e Israel podem não ser das melhores, especialmente durante o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que ficou famoso por insistir em um programa de enriquecimento nuclear iraniano e por dizer frases como “devemos varrer Israel do mapa”. Desde o mês passado, porém, o novo presidente da república islâmica, Hassan Rohani, parece tomar rumos diferentes.

Diferentemente de seu antecessor, Rohani tem maior proximidade com o Ocidente, justamente por ter cumprido parte de seus estudos, mestrado e doutorado em Direito Constitucional, na Universidade de Glasgow, na Escócia.

Sua escolha para ministro das Relações Exteriores também segue a mesma linha: Javad Zarif estudou Relações Internacionais na San Francisco State University e obteve um PhD em Direito Internacional na University of Denver, ambas nos Estados Unidos, principal aliado dos israelenses e considerado o maior inimigo do Irã durante a Revolução Islâmica de 1979.

Agora, o chanceler iraniano está usando uma rede social, o Twitter, para se aproximar ainda mais da população. Javad Zarif tuitou ontem pela primeira vez, afirmando estar ansioso para “interagir e manter contato” com seus seguidores. Também ontem, ele desejou um feliz “Rosh Hashanah”, ano novo judeu, que segue um calendário diferente do cristão, seguindo a deixa do presidente. Rohani usou sua conta oficial em inglês para desejar feliz ano novo “a todos os judeus, especialmente os judeus iranianos”.

Em resposta a um tuíte que recebeu afirmando que seria melhor se o cumprimento viesse “de um país que não negasse o Holocausto”, Zarif foi polêmico: “O Irã nunca negou o Holocausto. O homem que era visto como alguém que o negava agora não está mais aqui. Feliz ano novo”, disse, em provável referência ao ex-presidente Ahmadinejad.

Rosh Hashanah é o Ano Novo judaico. Aconteceu nesta quarta-feira ao anoitecer e marcou o início de 5773. Para a cultura judaica, o calendário não é marcado pelo nascimento de Cristo, mas pela criação do mundo e das primeiras pessoas, Adão e Eva. Apesar do ano judaico ser adaptado de acordo como ciclo solar, assim como o calendário gregoriano, os meses são baseados em ciclos da Lua e, por isso, um ano pode ter 12 ou 13 meses.

Confira os primeiros tuítes do chanceler iraniano abaixo: 

O chanceler também comentou sobre a situação na Síria, afirmando que a tragédia no país é uma “cilada” para empurrar o presidente Barack Obama para a guerra.