Chanceler da Venezuela é boicotado na Assembleia Geral da ONU

Em seu discurso, Jorge Arreaza acusou os Estados Unidos de quererem "impor a ditadura" na ONU

Nações Unidas — Os países do Grupo de Lima boicotaram nesta quarta-feira um discurso do chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Os representantes do bloco, formado por um amplo grupo de países americanos que se opõem ao governo de Nicolás Maduro, deixaram o plenário em protesto assim que Arreaza começou a discursar.

Esses governos, entre eles o do Brasil, não reconhecem Maduro como presidente da Venezuela e apoiam o chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, principal líder da oposição ao chavismo.

Alguns países europeus também boicotaram o discurso do chanceler venezuelano, enquanto outros optaram por diminuir o nível de representação na sala enquanto Arreaza falava.

Os governos que se opõem a Maduro já tinham feito protestos similares neste ano em discursos do chanceler venezuelano em outros órgãos da ONU, como o Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, e a Comissão de Narcóticos, que se reúne em Viena.

Em declarações à Agência Efe, o embaixador do Peru na ONU, Gustavo Meza-Cuadra, explicou que a ação é “uma mostra coordenada” do Grupo de Lima e de outros países que querem expressar “rejeição a um governo que não representa seu povo”.

Meza-Cuadra lembrou que o Grupo de Lima defende que a Venezuela deve ser representada nas organizações internacionais pelo governo de Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em janeiro, e disse que, eventualmente, isso pode ocorrer na ONU.

Arreaza discursou hoje em reunião plenária da Assembleia Geral para comemorar pela primeira vez o Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz, na qual falou em nome do Movimento dos Não Alinhados (MNA).

No discurso, o chanceler venezuelano destacou a necessidade de defender o multilateralismo e de combater os “dois pesos e duas medidas” nas relações internacionais.

Além disso, expressou a oposição do MNA à “crescente tendência a recorrer ao unilateralismo, à arbitrariedade e às medidas impostas unilateralmente”.

Na semana passada, em reunião em Santiago, o Grupo de Lima fez um pedido à comunidade internacional para isolar o governo de Maduro em busca de um “restabelecimento da democracia” liderado por Guaidó.