Cem são detidos em Damasco enquanto bombardeiros continuam

Uma parte dessas pessoas foi detida durante batidas indiscriminadas no bairro de Yobar, em Damasco, e na cidade de Zamalka, na periferia da capital

Cairo – Cem pessoas foram detidas nesta quinta-feira em Damasco e seus arredores pelas forças leais ao regime sírio, enquanto os bombardeios contra distintas localidades do país causaram pelo menos sessenta mortes, de acordo com os grupos opositores.

O ativista Omar Hamza, que se encontra nos arredores da capital síria, assegurou à Agência Efe que os autores das prisões e ”sequestros” são as forças de segurança do presidente Bashar al Assad e os ”shabiha” (milicianos pró-governo).

Uma parte dessas pessoas foi detida durante batidas indiscriminadas no bairro de Yobar, em Damasco, e na cidade de Zamalka, na periferia da capital, segundo os opositores Comitês de Coordenação Local e a Comissão Geral da Revolução Síria.

As outras pessoas detidas estavam no bairro de Kafr Susa, onde as forças governamentais lançaram uma operação de busca e captura de opositores, um dia depois dos ativistas denunciarem a execução de 25 pessoas pelas tropas do regime no mesmo lugar.

Hamza lamentou que o período de prisão poderá durar meses e que em muitas ocasiões os detidos serão executados.

Damasco e seus arredores foram as zonas mais afetadas pela violência hoje, explicou o ativista, que disse que os bombardeios contra os bairros de Al Tadamun e Barzeh, e contra as localidades de Moadamiya Al-Sham, Al Sabine e Daraya causaram dezenas de mortos e feridos.


A informação foi confirmada pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que denunciou que entre os sessenta civis que morreram hoje na Síria, 29 faleceram em Damasco e em sua periferia.

Segundo os grupos opositores, a ofensiva do regime prossegue contra várias localidades das províncias de Deir al Zur, Idleb e alepo, enquanto a situação humanitária nessas zonas se agrava cada vez mais.

O combatente do Exército Livre Sírio (ELS) na cidade de Saraqeb, Mahmud Bakur, assegurou que a população sofre com a escassez de alimentos e que os serviços de saúde são deficientes.

A fonte acrescentou que diante da degradação das condições de vida, a população se desloca diariamente para fugir da violência em Idleb.

A Comissão Europeia alertou sobre a rápida deterioração da situação humanitária na Síria e solicitou à comunidade internacional que se una para ajudar a população.

O conflito sírio fica cada vez pior apesar da pressão internacional e das mudanças nos esforços dos mediadores, com a nomeação na semana passada do novo enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, o diplomata argelino Lajdar Brahimi. EFE