Catalunha vai às urnas, e tudo pode acontecer

ÀS SETE - Além de um líder, que vai substituir o separatista deposto Carles Puigdemont, também serão escolhidos novos parlamentares regionais

Depois de um semestre confuso e intenso, após uma tentativa de declaração de independência unilateral, a Catalunha vai às urnas nesta quinta-feira para escolher o novo governante da região.

Além de um líder, que vai substituir o separatista deposto Carles Puigdemont, também serão escolhidos novos parlamentares, numa eleição que vai apontar qual o tamanho do afã catalão pela independência.

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Toda confusão começou no dia 1º de outubro, quando 2,3 milhões de pessoas participaram de um referendo e 90% dos votantes disseram ser a favor de que a Catalunha se declarasse independente unilateralmente. O número de participantes compreendeu 42% dos eleitores catalães.

Porém, não há previsão legal para que regiões autônomas decidam pela própria independência, e a votação foi considerada ilegal, além de ter sido severamente reprimida pela polícia, deixando mais de 800 feridos.

O líder da região, Puigdemont, insistiu que o povo tinha conquistado o direito de se declarar um país independente e, ao negar os pedidos para voltar atrás em sua postura, foi deposto pelo governo espanhol, que acionou o artigo 155 da Constituição para retomar o poder de um braço rebelde do Estado. Novas eleições foram convocadas.

Agora, sete partidos disputam as 135 cadeiras do Parlamento, e, apesar de eles terem divergências sobre como a região deve seguir a partir de agora, já se considera que os que têm tendências pró-independência perderão força.

Nas eleições de 2015, eles conquistaram 53% das cadeiras. Agora, de acordo com um levantamento de véspera realizado pelo jornal Financial Times, espera-se que essa parcela fique em 47%.

Apesar da queda e da perda da maioria, o número de apoiadores ainda é maior do que os que concordam com os unionistas, que devem ficar com 44% dos votos, enquanto que os partidos sem posicionamento sobre a questão devem ficar com 8%.

O partido que aparece com mais força na pesquisa é a Esquerda Republicana Catalã (ERC), encabeçada pelo ex-vice-líder da região Oriol Junqueras, que está preso. Logo atrás, vem o Juntos pela Catalunha (JxCat) de Carles Puigdemont, que está exilado em Bruxelas.

Os catalães irão às urnas com Puigdemont na cabeça. Ou votarão pela independência por repúdio à truculenta resposta do governo espanhol, ou optarão por ficar onde estão levando em conta as trabalhadas do ex-presidente. É um tema que pesa mais do que as divisões entre direita e esquerda.

Pelo menos um milhão de catalães estão indecisos sobre que rumo seguir. São eles que devem definir o pleito, para um lado, ou para outro.