Casos de ebola se aproximam dos 10 mil

Segundo números divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta quarta-feira, o ebola tem 9.936 casos registrados, com 4.887 mortos

O novo balanço da epidemia de ebola se aproximou nesta quarta-feira dos 10 mil casos, incluindo 4.900 novos registros, em meio ao reforço dos dispositivos de precaução e da mobilização internacional.

Segundo números divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta quarta-feira, o ebola tem 9.936 casos registrados, com 4.887 mortos, a maioria no oeste da África.

A OMS prevê milhares de casos suplementares por semana a partir de dezembro.

Libéria, Serra Leoa e Guiné são os países mais afetados pela epidemia, sem uma perspectiva de contenção rápida da doença.

Apesar dos avanços na busca por uma vacina, o vírus exacerbou as tensões entre a população e as autoridades, provocando uma morte no leste de Serra Leoa. A região está em quarentena desde agosto.

Apesar da redução dos riscos de contágio mundial, os dispositivos de precaução foram reforçados, tanto no embarque dos países afetados quanto no desembarque daqueles que tentam evitar a disseminação da doença.

Nos Estados Unidos, as autoridades anunciaram que todas as pessoas procedentes dos três países africanos afetados serão monitoradas de perto durante 21 dias, período máximo de incubação do vírus.

O presidente Barack Obama manifestou otimismo diante da evolução do ebola no país e saudou a crescente mobilização internacional para conter a epidemia nos três países que estão no epicentro da epidemia.

Na noite de terça-feira, Cuba enviou um novo contingente de médicos para Libéria e Guiné, aumentando para 256 o número de trabalhadores sanitários cubanos que ajudam no combate à doença.

Um primeiro contingente, de 165 médicos e enfermeiros, partiu rumo a Serra Leoa em 1º de outubro. Havana prometeu enviar um total de 461 trabalhadores sanitários à África para ajudar na luta contra a epidemia.

Apesar das notícias tranquilizadoras sobre a evolução dos casos registrados nos EUA e na Espanha, Ruanda estendeu suas medidas preventivas aos dois países ocidentais, exigindo que os passageiros que tenham estado nas três semanas anteriores comuniquem diariamente durante 21 dias seu estado de saúde.

Na Libéria, o aeroporto internacional conectou suas bases de dados às listas de familiares de pessoas doentes para proibi-los de embarcar, mesmo que não apresentem sintomas e, portanto, não estejam infectantes – informou à AFP o presidente do Conselho de Administração da Autoridade Aeroportuária Liberiana, Binyah Kessely.

“Queremos evitar constrangimentos toda vez que alguém deixar a Libéria para ir contaminar em outro país”, explicou Kessely, referindo-se a dois cidadãos liberianos que introduziram o vírus na Nigéria, em julho, e nos Estados Unidos, em setembro, antes de adoecer e morrer.

Enquanto isso, os Institutos Americanos de Saúde (NIH) anunciaram o início de um teste clínico com 39 adultos de uma vacina experimental canadense contra o ebola, a VSV-ZEBOV.

Os primeiros lotes do medicamento chegaram à Suíça, onde serão testados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os primeiros resultados dos testes feitos com essa vacina e com outro potencial imunizante anti-ebola – fabricado pela britânica GlaxoSmithKline (GSK) e pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID) – são aguardados para o final de 2014.

Por fim, o grupo farmacêutico americano Johnson & Johnson anunciou ter disponibilizado até US$ 200 milhões para acelerar a produção de uma vacina, atualmente em desenvolvimento por sua filial, Janssen Pharmaceuticals Companies. A expectativa é produzir mais de um milhão de doses em 2015.

Faltam leitos

Em Serra Leoa, onde a grande maioria dos novos casos se concentra no oeste, inclusive na capital Freetown, confrontos no leste do país, epicentro original da epidemia, deixaram dois mortos e uma dezena de feridos, entre eles vários membros das forças de segurança.

A confusão aconteceu na terça-feira na cidade mineira de Koidu, depois que um grupo de jovens resistiu à realização de uma coleta de sangue em uma senhora de 90 anos, mãe de um de seus chefes.

A idosa, considerada pelas autoridades sanitárias um caso suspeito de ebola, acabou falecendo de hipertensão.

Na vizinha Libéria, o país mais afetado pela doença, a OMS considerou subestimado o número de casos registrados, particularmente na capital, Monróvia.

Mas a diminuição de casos parecia real na província de Lofa (norte), na fronteira com a Guiné, onde apareceram os primeiros casos de ebola na Libéria, em fevereiro.

A encarregada do centro de tratamento da organização Médicos sem Fronteiras (MSF), na cidade de Foya, informou à presidente liberiana, Ellen Johnson Sirleaf, em visita ao local, que a província poderá “em breve ser declarada livre do ebola”, após três semanas sem registrar praticamente nenhum novo caso – informou a Presidência.

Apesar do aumento dos recursos nos três países, a OMS revelou que, atualmente, estão disponíveis apenas 25% dos cerca de 4.700 leitos necessários nos centros de tratamento para alcançar a meta da ONU de isolar 70% dos doentes até 1º de dezembro.

A OMS destacou, ainda, a falta de pessoal médico estrangeiro para fazer esses centros funcionarem, estimando que os reforços previstos respondem à necessidade de 30 estabelecimentos dos 50 programados.

A presidente da Comissão da União Africana (UA), Nkosazana Dlamini-Zuma, deve iniciar na quinta-feira uma visita aos três países afetados, a fim de “que o continente mobilize com toda urgência os recursos humanos necessários”.

Na Guiné, as autoridades anunciaram o pagamento de US$ 10 mil às famílias de cada agente de Saúde morto pelo ebola. A indenização será possível graças ao apoio financeiro da comunidade internacional.