Caso “menina anjo loiro” reaviva preconceito contra cigano

Garota encontrada em acampamento do povo “Roma” não é filha biológica do casal que a abrigava, mas não está entre desaparecidos da Interpol

São Paulo – Na Europa, a questão da xenofobia – especialmente em tempos de crise econômica e desemprego – é um grande problema que dificulta políticas de imigração e alimenta crimes nos “países de primeiro mundo”. Um povo nômade, marginalizado e, de quebra, com tradições diferentes das culturas dominantes europeias sofre ainda mais. É o caso dos ciganos, ou povo “Roma”.

Em entrevista para canais de televisão gregos, o representante de um desses grupos ciganos, Babis Dimitriou, disse ter medo de que o caso da menina “anjo loiro”, conhecida como Maria, alimente os preconceitos contra o povo Roma na Grécia e no restante do continente.

O medo não vem à toa. Desde que a menina de quatro anos foi encontrada e foi comprovado que ela não era filha do casal que a abrigava, pais com filhos sumidos pedem novas operações em acampamentos ciganos. É o caso dos pais do menino Ben Needham, por exemplo. O garoto desapareceu na Grécia em 1991 e seus pais pedem que a polícia investigue melhor diferentes acampamentos. Segundo a família dele, em entrevista para o Daily Mail, testemunhas viram um menino que se parecia com Ben junto de uma família cigana e o caso da garota Maria “reaviva as esperanças” deles.

O casal que vivia com Maria foi preso e segue para julgamento. Eles defendem que os pais biológicos da garota, ambos supostamente da Bulgária, a deixaram para ser criada por eles. Segundo a Interpol, exames de DNA comprovam que ela não está na lista de menores desaparecidos. A ONG que cuida da menina atualmente, “Smile of the Child”, divulgou informação de que milhares de ligações foram feitas ao instituto por país de crianças desaparecidas do mundo todo.

A polícia ainda trabalha com a hipótese de sequestro e tráfico de menores. 

Casos de atritos entre o povo Roma e governos europeus não são raros. Na França, há duas semanas protestos aconteceram em apoio a uma jovem de 15 anos que foi retirada de dentro do ônibus escolar pela polícia e deportada junto com sua família para Kosovo. A garota era de família cigana que vivia na França havia cinco anos. O presidente François Hollande interveio no caso e a menina pode voltar para terminar seus estudos nas escolas francesas – sua família, incluindo seus cinco irmãos, não.

Os ciganos já são vistos como ladrões, mendigos e um povo de costumes “estranhos” na Europa. Agora, segundo as falas do cigano Dimitriou, há o medo do estigma de traficantes de crianças, também. As investigações continuam.