Casa Branca diz que nem Hitler usou armas químicas como fez Assad

O porta-voz tentou explicar sem muito sucesso sua comparação entre Assad e Hitler, que empregou câmaras de gás para exterminar judeus e minorias

Washington – O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, gerou polêmica nesta terça-feira ao comparar o presidente da Síria com Adolf Hitler, argumentando que “nem sequer” o líder nazista “se rebaixou a utilizar armas químicas” como supostamente fez o governo de Bashar al Assad.

“Acredito que, quando se trata de gás sarin, ele (Hitler) não estava utilizando o gás entre sua própria gente, da forma que faz Assad”, afirmou Spicer em uma coletiva de imprensa.

Spicer tentou explicar sem muito sucesso sua comparação entre o presidente sírio e o líder nazista, que, se não utilizou armas químicas no campo de batalha, empregou câmaras de gás para exterminar milhões de judeus e outras minorias.

A diferença, segundo o porta-voz, é “o modo com que Assad as usa (as armas químicas), ao ir a povoados e lançá-las no meio de inocentes”.

Perante a polêmica suscitada pelas declarações, Spicer se viu obrigado a divulgar um esclarecimento posterior.

“De nenhuma maneira estava tentando rebaixar a natureza horrenda do Holocausto. Estava tentando explicar a diferença de tática no uso de aviões para lançar armas químicas em centros de população”, argumentou.

Na terça-feira passada, o regime sírio supostamente lançou um ataque com gás sarin em um povoado controlado pelos rebeldes na província síria de Idlib no qual morreram mais de 80 pessoas.

Hitler, exposto na I Guerra Mundial a gás mostarda, nunca utilizou armas químicas no campo de batalha da II Guerra Mundial, apesar de possuir um grande arsenal de agentes nervosos.

No entanto, utilizou elementos químicos para matar milhões de judeus em câmaras de gás em campos de concentração em um projeto conhecido como Solução Final para o extermínio dos judeus.

Comentários

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  1. ROBERTO ALVES

    Os Estados Unidos tem um meio muito fácil para resolver este impasse. Nomeiem junto à Rússia uma comissão paritária de investigação. O Brasil pode ser o tercius. Se comprovadas as denúncias a Rússia ajudará na substituição do governo sírio. Se houver dúvida razoável os EUA se retirarão junto com aliados ocidentais definitivamente da Síria. O que não pode é esta troca de “evidências duvidosas” e acusações infundadas.