Candidatos transgênero ganham terreno na América Latina

A Colômbia, que realizará neste fim de semana eleições, conta com 2 candidatas transgênero que podem conseguir cadeira no Congresso

Bogotá – O acesso de transgêneros à política na América Latina está aumentando e, a cada dia, é mais notória sua participação nas campanhas eleitorais na busca por um lugar na vida pública.

A Colômbia, por exemplo, que realizará neste fim de semana eleições legislativas, conta com duas candidatas transgênero com possibilidades de conseguir uma cadeira no Congresso da República. Tatiana Piñeros, pelo partido Decência, e Akemi Sofía Rave, pelo Aliança Verde, querem ser as primeiras senadoras trans da Colômbia.

“Quero ser parte da solução. Se chegar ao Senado, vou passar uma mensagem muito forte de que tudo mudou, quero começar a reconciliar este país”, afirmou Piñeros à Agência Efe.

A candidata, que foi secretária de Turismo em Bogotá do governo municipal anterior, não esconde seu orgulho ao reivindicar “um espaço que foi vetado ao longo da história”.

Na atualidade, apenas Equador e Venezuela contam com representantes transgêneros nos seus parlamentos nacionais na América Latina.

A advogada Tamara Andrián ganhou sua cadeira pela MUD (Mesa da Unidade Democrática) na Assembleia Nacional da Venezuela em 2015. Por sua vez, no Equador, a ativista Diane Rodríguez foi eleita deputada na Assembleia Nacional em maio de 2017.

“Significa muito para mim ser a primeira pessoa trans na Assembleia. É abrir passagem às novas gerações como foi a luta das mulheres, como Matilde Hidalgo, a primeira mulher sufragista do Equador e da América Latina”, declarou Rodríguez à Efe em Guaiaquil.

No Uruguai, Michelle Suárez, da Frente Ampla, foi a primeira legisladora transexual da história do país, mas viu sua carreira política truncada em dezembro de 2017 por um caso de fraude em uma atividade privada.

Sem conseguir uma cadeira, candidatas como Dayanna Hernández, nas eleições de fevereiro na Costa Rica, e Kendra Jordany, no pleito de Honduras, tentaram chegar recentemente às mais altas instituições de seus países.

Esta mudança política se reflete também em outros níveis da administração.

No México, Rubi Anayanzi Suárez é, desde 2016, vereadora da câmara municipal de Guanajuato e primeira transgênero a chegar a um cargo público no país.

Seguem o seu caminho Juliana Pineda e Adriana Aguilar, que concorrem às prefeituras de Lázaro Cárdenas e de Uruapan, respectivamente, nas eleições de 1º de julho.

“Na América Latina vimos defensores e pessoas transgêneros atacadas e governos que são lentos na hora de investigar e prevenir futuros crimes de ódio. No entanto, há fortes líderes trans na região que se dispõem a melhorar a vida da comunidade”, destacou Luis Abolafia, diretor do Programa Internacional do LGBTQ Victory Institute em Washington.

Este observatório, que avalia o desenvolvimento da inclusão na política dos Estados Unidos, apoia com campanhas como a “Vote for Equality” o progresso das comunidades LGBT na América Latina.

Segundo Abolafia, “está ocorrendo um progresso enorme”. “Nos Estados Unidos, 2017 foi nomeado o Ano do Candidato Trans, devido ao número de pessoas trans que se candidataram a cargos públicos. Essa tendência também se percebe em outros países da América”, disse.

Casos como a da ex-soldado e analista de inteligência do exército dos Estados Unidos, Chelsea Manning, que apresentou sua candidatura ao Senado pelo estado de Maryland para as eleições de novembro, ou o de Danica Roem, que ganhou no ano passado um posto como membro da Câmara de Delegados de Virgínia, confirmam esta tendência no país.

Segundo a deputada Diane Rodríguez, “o fato de estar mais conectadas com os cidadãos e de nos ocupar de temas sensíveis que afetam a todos, não só à comunidade LGBT, fortalece o movimento”.

Da mesma maneira se pronunciou a candidata Tatiana Piñeros, que considera que chegar a um posto de poder envia a mensagem de que “sim, é possível”.

“A maioria das pessoas trans queremos saúde, trabalho, educação, poder ir à rua. Somos como os demais e vimos que temos que participar para melhorar nossa situação”, acrescentou Piñeros.

Até poucos anos atrás, as pessoas transgêneros não tinham esta visibilidade política. Apesar dos índices de violência na comunidade – a expectativa de vida é de 35 anos, segundo Piñeros -, as pessoas trans estão ocupando um novo espaço que, para Rodríguez, “é imparável”.