FHC vai à Argentina participar de evento que reúne Macri e Fernández

Jornal argentino Clarín organiza seminário Democracia e Desenvolvimento a pouco mais de dois meses do primeiro turno das eleições presidenciais

São Paulo — Dez dias depois das eleições primárias argentinas, os dois principais candidatos à Presidência do país se reúnem em um evento em Buenos Aires nesta quinta-feira, 22.

Tanto Alberto Fernández, candidato de esquerda que liderou as primárias com 15 pontos de vantagem, quanto o atual presidente argentino Mauricio Macri estarão no terceiro Seminário Democracia e Desenvolvimento do jornal argentino El Clarín, a ser realizado no auditório do Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires).

O Brasil, vizinho e maior parceiro comercial da Argentina, será representado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que será entrevistado na abertura do evento pelo editor geral do Clarín, Ricardo Kirschbaum.

Na descrição do seminário, os argentinos afirmam que FHC é um “dos dirigentes mais respeitados da história recente e um intelectual cujas ideias contribuíram para consolidar um país que está entre as maiores potências econômicas do mundo”.

FHC deve ser questionado sobre a situação atual do Brasil, o futuro do Mercosul e as relações bilaterais entre Brasil e Argentina no governo de Jair Bolsonaro.

Na última quarta-feira, 21, a caminho de Buenos Aires, FHC indicou qual será seu posicionamento. “A Argentina escolherá entre os dois [Macri e Fernández]. Ela será sempre nossa vizinha. Devemos ter boas relações e não transformar nossas opções em fator de atrito entre nações irmãs”, escreveu.

As preocupações sobre o futuro do relacionamento brasileiro com a Argentina são fruto das recentes declarações do presidente Bolsonaro, que desde antes das primárias apoia Macri e critica Fernández, que tem como vice-candidata a ex-presidente Cristina Kirchner. Para Bolsonaro, a eleição da chapa kirchnerista tornaria a Argentina uma “nova Venezuela”.

Em um discurso na quarta-feira, 20, em um congresso da indústria siderúrgica, Bolsonaro pediu para os empresários brasileiros colaborar com o que puderem para ajudar Macri a se reeleger. “Só o fato das primárias terem dado uma margem bastante grande para a oposição na Argentina, o mercado reagiu imediatamente. Eu acredito que possa ser revertida essa questão na Argentina. E todos os senhores aqui, quem puder colaborar, eu peço que colabore nesse sentido”, disse o presidente.

O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil deixaria o Mercosul se Fernández fosse eleito e fechasse a economia do país vizinho.

O candidato da oposição, por sua vez, afirmou que não pretende fechar a economia e que os dois países poderiam seguir unidos. Bolsonaro, no evento de quarta, afirmou que na economia poderíamos caminhar juntos, “agora, na questão política, jamais”.

Nesta quarta-feira, Fernández será questionado sobre a reta final das eleições, que tem primeiro turno no dia 27 de outubro, sua relação com Kirchner e a possível estrutura de um eventual governo seu. .

Já Macri, que fecha o evento, deverá falar sobre seu novo ministro da Economia, Hernán Lacunza, que substituiu Nicolás Dujovne depois das primárias, em uma guinada populista. Os jornalistas devem aproveitar também para saber suas estratégias para tentar virar o jogo nesses meses finais de governo. Segundo pesquisa divulgada ontem, a vantagem de Fernández cresceu para 20 pontos. A virada está cada dia menos provável.