Campanha de Trump teve contatos com inteligência russa, diz NYT

Jornal The New York Times afirmou que associados de Trump tiveram contatos repetidos com autoridades da inteligência russa no ano anterior à eleição

Registros telefônicos e chamadas interceptadas mostram que membros da campanha presidencial de Donald Trump e outros associados a Trump tiveram contatos repetidos com autoridades de alto escalão da inteligência russa no ano anterior à eleição, relatou o New York Times na terça-feira, citando quatro atuais e ex-autoridades norte-americanas.

Agências da inteligência e lei dos Estados Unidos interceptaram as comunicações por volta do mesmo momento em que descobriram evidências de que a Rússia tentava atrapalhar a eleição presidencial ao hackear o Comitê Nacional Democrata, disseram três das autoridades, de acordo com o Times.

As agências da inteligência então tentaram descobrir se a campanha de Trump estava ao lado dos russos no ataque cibernético ou em outros esforços para influenciar a eleição, segundo o jornal.

As autoridades entrevistadas nas semanas recentes disseram não ter evidências de tal cooperação, segundo a reportagem.

No entanto, as interceptações alarmaram agências norte-americanas, em parte por conta do número de contatos que ocorria enquanto Trump elogiava o presidente russo, Vladimir Putin.

As conversas interceptadas são diferentes das conversas do ano passado entre Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional de Trump, e Sergei Kislyak, embaixador russo nos EUA, segundo o Times.

Durante as ligações, os dois homens discutiram sanções que o governo Obama impôs na Rússia em dezembro. Flynn enganou a Casa Branca sobre as ligações e foi convidado a renunciar na noite de segunda-feira.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre a reportagem do New York Times.

O Times relatou que autoridades disseram que comunicações interceptadas não se limitam a autoridades da campanha de Trump e incluem outros associados do presidente.

Do lado russo, os contatos também incluem membros do governo de fora dos serviços de inteligência, segundo as autoridades. Todas as atuais e ex-autoridades falaram em condição de anonimato porque a investigação em andamento é confidencial, relatou o jornal.

As autoridades disseram que um dos assessores descobertos nas ligações era Paul Manafort, que foi gerente da campanha de Trump por diversos meses no ano passado e trabalhou como consultor político na Rússia e Ucrânia, de acordo com o Times. As autoridades se negaram a identificar outros associados de Trump nas conversas.