Cameron teme ameaça da Escócia de não pagar parte de dívida

David Cameron, premiê britânico, qualificou de apavorante a ameaça feita por líder pró-independência de que a Escócia pode não pagar parte de sua dívida

Londres – O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, qualificou nesta quarta-feira de “apavorante” a ameaça feita pelo líder independentista Alex Salmond de que uma Escócia independente poderia não pagar sua parte da dívida nacional se não se for permitido conservar a libra.

Segundo o chefe do governo, as consequências de rejeitar esse compromisso seriam “devastadoras” para os escoceses e danificariam sua reputação internacional.

“Acho que é uma das coisas mais apavorantes que foram ditas nesta campanha pelo referendo, que uma Escócia independente não pagaria sua dívida”, declarou durante seu comparecimento semanal na câmara dos Comuns.

“Todos sabemos o que acontece se não pagarmos a dívida: que ninguém te empresta dinheiro exceto com uma punitiva taxa de juros”, afirmou.

Cameron fez estas declarações ao ser questionado pelos deputados, depois que Salmond reafirmou nestes dias sua posição de considerar uma falta de pagamento, que expressou pela primeira vez em 2013.

O líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) e principal ministro sustenta que a futura nação independente não teria obrigação de assumir a parte proporcional da dívida britânica se não tiver permissão de receber também uma parte dos ativos, entre os quais inclui manter como moeda a libra esterlina.

Salmond considera que tanto a libra como o Banco da Inglaterra -banco central do Reino Unido- são ativos nacionais que seria preciso ser repartidos em caso de separação, algo ao qual Londres se opõe.

Os três principais partidos parlamentares britânicos -conservadores, liberal-democratas e trabalhistas- expressaram já sua rejeição em pactuar uma união monetária com uma eventual Escócia independente.

Cameron lembrou hoje que o ex-comissário europeu de Economia Olli Rehn questionou, além disso, os planos de Salmond de assumir informalmente a libra se não houver tal união.

Rehn disse que uma esterlinização da economia escocesa -adoção da libra sem uma união monetária formal com o Reino Unido, o que suporia ausência do banco central e incapacidade para emitir moeda- “simplesmente não seria possível” se a Escócia quiser solicitar sua adesão à UE.

Salmond argumenta que, caso ganhe a independência no referendo de 18 de setembro, por questão prática Londres acabaria acedendo a uma união da moeda.

O líder independentista coloca, além disso, como “opção transitória”, até obter esse acordo, a esterlinização, ou seja, a adoção da libra esterlina sem uma união monetária formal.

Na reta final da campanha, os partidários e opositores da independência da Escócia intensificaram seus argumentos.

A última pesquisa sobre intenções de voto, publicada ontem no “The Times” e “The Sun”, outorgava à campanha do “não” um apoio do 53%, quatro pontos a menos que em agosto, enquanto o “sim” avançava quatro pontos até se situar em 47%.