Cameron apoia novo Tratado da UE, mas quer garantias para seu país

O Reino Unido se opõe a qualquer imposição fiscal sobre as transações financeiras por acreditar que prejudicaria os bancos da City, o centro financeiro de Londres

Londres – O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, considerou nesta quarta-feira que um novo tratado para os 27 membros da União Europeia (UE) é a ‘forma crível’ de certificar que a zona do euro está cumprindo suas obrigações de dívida, mas reivindicou garantias para seu país.

Em artigo publicado nesta quarta-feira no jornal The Times, Cameron insistiu nas declarações que havia dado na terça à noite, quando ameaçou vetar um novo Tratado da UE caso não inclua salvaguardas para o Reino Unido, em alusão aos interesses da City, o centro financeiro de Londres.

Entre outras reservas, o Reino Unido se opõe a qualquer imposição fiscal sobre as transações financeiras por acreditar que prejudicaria os bancos da City.

‘Nossos companheiros na UE devem saber que não apoiaremos uma mudança no Tratado que não proteja nossos interesses’, disse.

‘Os membros e instituições da zona do euro devem adotar todas as medidas necessárias para evitar uma segunda crise do crédito’, apontou Cameron, que destacou ainda que seu país apoia ‘uma grande barreira que evite o contágio, da mesma forma que bancos bem capitalizados’.


O primeiro-ministro conservador vem sendo pressionado pelos deputados mais céticos de seu partido em relação ao bloco europeu, que reivindicam um plebiscito para mudanças no Tratado da UE, ideia à qual ele se opõe argumentando que não representaria mudanças na soberania britânica.

A Alemanha e a França promovem um novo tratado que impulsione o rigor fiscal e imponha ‘sanções automáticas’ aos países que descumpram a regra de limitar 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao déficit público.

No artigo, Cameron declarou que a Europa deve funcionar ‘com a flexibilidade de uma rede, e não com a rigidez de um bloco’, e insistiu que o problema principal é de ‘competitividade, de países com grandes déficits comerciais ao lado Alemanha, que tem um elevado superávit comercial’.

Ao mesmo tempo, ecoou a posição alemã de que é necessário ‘mais disciplina e coordenação fiscal na zona do euro para recuperar a confiança dos mercados e evitar que os países voltem a gerar dívidas e déficits impossíveis de conduzir’. EFE