Bush procura substituto de Snow que viabilize reforma previdenciária

Presidente reeleito quer autorização para que os cidadãos americanos direcionem livremente parte das contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários para contas particulares de investimentos

O presidente americano George W. Bush lançou nesta semana sua campanha pela reforma previdenciária. Segundo The Wall Street Journal desta terça-feira (7/12), as pressões pela demissão do secretário do Tesouro, John Snow, podem ser explicadas, em parte, pela necessidade de encontrar um bom articulador para que a revisão da seguridade social proposta por Bush seja aprovada por deputados e senadores.

Ontem, Bush reuniu-se com os líderes republicano e democrata no Congresso para apresentar as medidas. Entre outras coisas, o presidente reeleito quer autorização para que os cidadãos americanos direcionem livremente parte das contribuições previdenciárias incidentes sobre os salários para contas particulares de investimentos. Em vez de deixar todo o dinheiro nas mãos do governo, explica o jornal, uma parcela dos recursos será controlada diretamente pelos contribuintes. Em compensação, haverá uma redução no volume dos benefícios garantidos que eles receberiam pelo sistema atual.

No período de transição, o governo buscaria empréstimos para financiar os benefícios correntes dos já aposentados. O custo estimado da mudança seria de 1 trilhão a 2 trilhões de dólares nos próximos dez anos. Mesmo políticos republicanos estariam, porém, preocupados com as reações dos mercados e da opinião pública a um forte endividamento justo quando o governo incorre em déficits anuais gigantescos.

Indefinição

A demora em definir a permanência ou a substituição de Snow também preocupa. “É algo prejudicial à nossa credibilidade financeira, em um momento em que o dólar está sob pressão”, diz o vice-presidente da Goldman Sachs, Robert Hormats.

Segundo The Wall Street Journal, para resolver a troca de titulares da secretaria, Bush pode convocar algum assessor de confiança da Casa Branca ou convidar alguém conhecido de fora, com prestígio suficiente para reunir apoio a seus planos. A ambiciosa agenda do segundo mandato, diz o jornal, demanda alguém que seja capaz de persuadir tanto o Congresso quanto os mercados sobre os méritos das novas abordagens.