Bush parece ter despertado para problema do déficit, diz consultoria

<I>Segundo a consultoria Tendências, o patamar do déficit fiscal nos Estados Unidos não é atípico. O que realmente preocupa é a ausência, pelo menos até agora,;de sinais de que;trajetória crescente será interrompida</I>

Uma das melhores notícias do fim de ano é a mudança de postura do presidente americano George W. Bush sobre a questão fiscal (leia reportagem de EXAME sobre o tema). Segundo análise da consultoria Tendências, o republicano parece ter se convencido da necessidade de reversão da trajetória do déficit fiscal, “algo inédito em sua administração”, marcada por um posicionamento negligente no primeiro mandato.

Os Estados Unidos passaram de um superávit fiscal de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2002 para um déficit de cerca de 3,6% do PIB neste ano. Pior que isso, os números vieram acompanhados de sinalizações de aprofundamento do déficit, como a decisão de tornar permanente o programa de corte de impostos. “Não é o patamar do déficit que emite sinais preocupantes, dado que esse nível de déficit fiscal não é atípico no passado dos Estados Unidos, mas sim, a ausência de sinais no sentido de brecar sua trajetória crescente.”

Bush parece que despertou para o problema, e em discursos recentes reconheceu que o déficit é um problema e comprometeu-se com um orçamento mais enxuto em 2006, reduzindo gastos discricionários e propondo mudanças estruturais no sistema de seguridade social. Mas a Tendências vê com ceticismo o impacto dos cortes em gastos discricionários, especialmente por causa da presença militar no Iraque e das dificuldades de política interna para cortar verbas direcionadas a educação e saúde.